terça-feira, 31 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Algo a mudar em 2014

A consciência dos povos também se formata por agendas mediáticas e, não obstante a pulverização dos meios (sobretudo na “internet”), a televisão continua a ser o meio por excelência. Por isso, continuo a defender um Serviço Público de Televisão, que saiba difundir a visão que mais tenha a ver com os interesses estratégicos de Portugal.

Hoje, isso está ainda muito longe de acontecer. Apenas um exemplo: a atenção que a RTP (Rádio Televisão Portuguesa) dedica, em geral, ao espaço lusófono. Em comparação com o acompanhamento que dedica a outros espaços geopolíticos, a única conclusão possível é que para a RTP o espaço lusófono continua a ser algo de residual.

Dos outros canais nem vale a pena falar, pois ainda conseguem ser piores. Quando há alguma notícia é, em regra, pelas piores razões, como se tudo o que acontece no espaço lusófono fosse, por definição, mau. As boas notícias (quase) nunca aparecem nos grandes noticiários - antes são remetidas para guetos televisivos. Tudo o mais parece servir apenas para perpetuar os lugares-comuns de sempre: “o Brasil é o país do samba e do futebol”, a “África é um continente perdido”, etc.

É bem verdade que o mau exemplo vem de cima. Alguém me sabe explicar, por exemplo, porque todos os nossos líderes políticos aparecem sempre com as bandeiras de Portugal e da União Europeia (para além da bandeira partidária) e nunca também com a bandeira da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa? Bastaria esse pequeno gesto simbólico para que a Lusofonia tivesse um peso maior no nosso espaço mediático.


No muito a mudar em 2014, que algo mude nesta área. Um excelso Ano Novo!






Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Irracionalidade ou intenção?!

Com a decisão do Tribunal Constitucional de declarar inconstitucional a convergência de pensões entre a Caixa Geral de Aposentações e o regime geral da Segurança Social, é cada vez mais certo que o IVA vai aumentar! O mais provável será que a taxa máxima passe de 23 para 24%. Talvez um dia chegue aos 100% para satisfação sádica dos nossos governantes e da troika a quem isso pessoalmente a uns pouco afeta e a outros nada mesmo.

Mas até onde pode ir a irracionalidade?! Ou será inconsciência?! Ou incompetência?! Ou falta de conhecimento da realidade?! Ou será muito pior?! Haverá alguma estratégia concertada para destruir o nosso como outros países, como alguns há muito dizem?!! Já não digo nada porque é tudo tão estranho…

Façam só uma conta trivial: se por o IVA aumentar 1% o consumo diminuir 5% (parece-lhes difícil? Eu acho que vai diminuir é mais…) a receita de IVA não aumenta! Diminui! Foi o que já aconteceu anteriormente com subidas de impostos semelhantes: aumentam-se taxas e, como resultado, temos a diminuição das receitas fiscais… Inteligência do macaco?!







Francisco Mendes (Membro da Coordenação Nacional +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

[Comunicado +D] Solidariedade com o Cidadão Ivo Margarido

O MaisDemocracia solidariza-se com Ivo Margarido, o cidadão que por ter "interrompido" o discurso do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho em dois debates quinzenais no Parlamento foi constituído arguido pelos crimes de coação contra órgãos constitucionais e perturbação do funcionamento de órgão constitucional.

Sendo certo que existe uma moldura penal que enquadra estes acontecimentos, esta deve ser - no mínimo revista - já que esta é manifestamente exagerada (prevendo penas de prisão de até 8 anos por "crime de coação contra órgãos constitucionais" e de 3 anos, "por perturbação do funcionamento de órgão constitucional". Um cidadão que exprima a sua indignação na "casa da cidadania" (palavras da própria Presidente da Assembleia da República) não o pode fazer estando sujeito a uma tão pesada moldura penal.

O MaisDemocracia exprime igualmente a sua consternação por de mais ninguém ter sido constituído arguido, além deste cidadão, e isto apesar destas manifestações (que não apoiamos) terem sido também abertamente patrocinadas e organizadas por conhecidas organizações e partidos políticos.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Urge um novo partido…

Urge um novo partido que congregue o maior número possível de movimentos cívicos e políticos que, como é tipicamente português, em vez de trabalharem em rede e de forma concertada, insistem em remar cada um para seu lado, não percebendo que assim não chegarão a lugar algum. Unidos, não seremos apenas mais. Chegaremos bem mais longe.

Urge um novo partido que fure o bloqueio partidocrático que asfixia, cada vez mais, a nossa democracia, um novo partido que promova as candidaturas independentes à Assembleia da República, pois que só com esta concorrência os partidos existentes se irão regenerar e abrir-se realmente. E não apenas de forma retórica e inconsequente, como tem ocorrido.

Urge um novo partido que ponha a nu a falta de representatividade da nossa classe política, que insiste em defender causas sem o apoio do povo. Um exemplo paradigmático disso foi a causa da “regionalização”. Todos os partidos a defendiam, até que um referendo pôs a nu essa falta de apoio popular. Façamos, pois, mais referendos – a nível nacional e local. Há uma vasta série de “vacas sagradas”, há muitos falsos consensos à espera de serem desmentidos. Ou será que a nossa classe política, que se diz democrática, tem na verdade medo do povo?

Urge, sobretudo, um novo partido que estilhace de vez a “vaca sagrada” do sectarismo esquerda-direita, que tem viciado todo o nosso debate político, dentro e fora da Assembleia da República. Um novo partido que escandalize não a opinião pública mas a opinião publicada, votando a favor de propostas vindas da “esquerda” e da “direita” – não pela sua proveniência, apenas pelo seu mérito próprio. Isso já será, acreditem, uma grande Revolução.







Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

domingo, 22 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Haja audácia

ortugal está à deriva. Não sabemos bem quem nos governa. O governo insiste em continuar a seguir políticas de austeridade que levam muitas famílias ao limite do desespero. O próprio Cavaco Silva apesar da sua, quase, imobilidade, vai duvidando de certas medidas. O Tribunal Constitucional diz que não pode ser e perante isto, o Primeiro Ministro afirma, num país estrangeiro que tem um plano B. E, afinal, há sempre uma plano B.
 Acho que já nenhum português tem paciência para ouvir políticos e muitos reclamam que isto não pode ser e que alguma coisa tem de mudar. No meio de tudo isto, os partidos da oposição parecem tudo menos preparados para reagir e as lutas internas são visíveis aos olhos de todos, por muito que as tentem esconder. Com o aproximar das eleições europeias surgem novos “movimentos” de apoio a figuras mais ou menos mediáticas. Projetos que eu duvido que perdurem para lá das europeias.
As máquinas partidárias não mudam. Não querem mudar. Só assim continuará a haver espaço para o carreirismo político. Todo o sistema está montado de forma a que o cidadão apenas tenha a ilusão de que participa na vida democrática deste pais. Farto dos sacrifícios a que é obrigado, o cidadão comum reage no facebook, em frente à televisão, na paragem do autocarro…
Quando será que acordam? Olhem para a Suiça. Aí sim,, há participação cidadã. Por cá não passa de ilusão. Os movimentos de independentes só podem candidatar-se às autárquicas e mesmo aí  tudo está montado para dificultar o sucesso dessas iniciativas. Mas isto não tem de ser assim. Temos de tomar o poder da mudança nas nossas mãos. Temos de ter coragem e ambição de perceber que tudo pode ser mudado basta que haja quem acredite e tenha a audácia de querer fazer.

A história está cheia de exemplos de homens e mulheres corajosos que mudaram a vida dos seus países. Uns mais conhecidos que outros. Uns mais envoltos em lendas que outros mas o facto é que tem sempre de surgir alguém com a coragem de avançar. Alguém que tenha um sonho que possa por outros ser seguido. Tenhamos a coragem de fazer alguma coisa!!!


Margarida Ladeira (Membro da Coordenação Nacional +D)
Este comentário é da exclusiva responsabilidade da sua autora

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

[Opinião +D] O que é preciso mais ?

É falta de imaginação minha mas o assunto que hoje me faz escrever uma linhas é recorrente, funesto e evitável. Se eu pudesse entrar no cérebro de quem nos governa e pudesse espiolhar as sinapses da luminária que pela enésima vez quis ver ratificado, um diploma que conseguiu o veto unânime dos juízes do Tribunal Constitucional,  poderia decerto entrar num mundo cor de rosa, cheio de produtos de marca e preços a condizer, passear todos os dias à beira-mar e beber um cocktail ao pôr do sol, ou ficar espantado com a escuridão, o gelo e as esquinas agrestes próprias de um ambiente frio e calculista. Os executores e os mentores da estratégia de austeridade que salva os todo poderosos interesses financeiros, estão à espera da gorda migalha que os premeie e que os tire das esquinas frias e sombrias para as solarengas e hospitaleiras praias do Sul. Já os outros passivamente aguardam que o Natal lhes ponha na mesa uma refeição quente e composta porque esta estação vai ser particularmente dura. No sapatinho, o iva, espera engordar na passagem do ano e a nossa vontade enregelada nem se mexe para aquecer. A unanimidade da resolução do Tribunal Constitucional estilhaça qualquer réstia de tolerância que possamos ter para com estes desmandos, aguardo, por isso, que o Inverno nos enrije o discernimento e a ação.




Carlos Seixas  (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Até porque é Natal

Estamos a dias de nos voltarmos a encontrar. Muitas coisas se passaram, depois do nosso último encontro, tanto nossa vida pessoal como na do Movimento. Amámos, sofremos, chorámos, rimos, sei lá eu (?)...Vivemos! Exultámos, na interioridade da paz, mas também nos rebelamos contra aquilo que considerámos mau e injusto. Fizemo-lo ante o que nos foi dado viver e, questionamo-nos sobre isso. Sobre a responsabilidade que a cada um cabe, enquanto ator deste processo vida. Caminhamos, às vezes, ante céus enevoados sem sabermos bem como prosseguir. Mas, vamos deixando sempre, no terreno, a nossa pegada. Por isso e porque além demais, somos amigos, iremos partilhar preocupações, catalisar sonhos, caminhos feitos e por fazer. Mãos dadas, rumo a uma nova manhã, faremos do encontro a festa, até porque é Natal. Partilharemos esta inquietação de sermos construtores de um novo tempo em tempo conturbado e turbulento, desejando colocar no zénite, uma pequena estrela a brilhar. Sabemos que, cada um de nós tem nas mãos o facho do futuro, que conduzimos juntos. Um magma de esperança fará o caudal de um tempo novo se soubermos e quisermos. Lamentar apenas, não serve para nada. Revigorados com este espírito de Natalício vamos dialogar, por em comum, assumir dinâmicas, solidarizarmo-nos, comprometermo-nos! Estaremos aí. Até lá.


Conceição Couvaneiro (Conselho Geral do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Nada, de facto, como regressar aos clássicos para desvendar os paradoxos caseiros…

Há quem não consiga perceber os paradoxos da dita “esquerda portuguesa”, que, quanto mais diz pretender unir-se, mais se divide (vide as últimas iniciativas de Rui Tavares e Carvalho da Silva), mas, para compreendermos esses paradoxos, nada melhor do que regressar aos velhos gregos – em particular, ao pré-socrático Zenão de Eléia. Descreveu ele a seguinte situação: “Imagine um atleta querendo correr uma distância de 60m, para chegar no final do percurso ele primeiro terá que passar no ponto que corresponde a 1/2 (metade) do percurso, depois no próximo ponto que corresponde a 2/3 do percurso, depois 3/4 do percurso, para assim chegar a 4/5 do percurso e depois 5/6 do percurso e depois 30/31 do percurso ao ponto correspondente a 199/200 e depois ao ponto 5647/5648 do percurso (que numericamente corresponderia a 59,9893798 metros), tendendo assim a ser um número infinito de pontos antes que o corredor chegue ao final. Como o infinito é uma abstração matemática que significa algo que não tem limite, o atleta jamais conseguiria chegar ao final do percurso (60 metros), pois ele teria que percorrer infinitos pontos para chegar a um final”. Nada, de facto, como regressar aos clássicos para desvendar os paradoxos caseiros…






Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

[Opinião +D] Participação

O SONHO
Somos do tamanho dos nossos sonhos; não da nossa bolsa. Enquanto portugueses, enquanto sociedade, somos aquilo que em coletivo conseguirmos desejar; não somos o resultado dos nossos contributos financeiros. É verdade que esta participação europeia tem reduzido o nosso coletivo aos nossos magros recursos. Também é verdade que a União Europeia é apenas uma união económica. Quem procure mais que essa realização naquele contrato, frustra-se. Os contratos nem sempre correm bem. Por isso, quem se mede pelo alcance da bolsa vive agora tempos magros. O azimute do sonho coletivo sustenta-se com o que o caminho lhes dá. O sonhador vive num corpo pouco exigente. Para ele, economia rima com poesia apenas na publicidade que circunstancialmente troca por alguma satisfação.

CONSTITUIÇÃO
Para que o coletivo se torne viável, há a norma transformada em lei comumente aceite e respeitável. A raiz, a mãe, a primeira das normas que em comum aceitámos, foi a Constituição. Nela encontramos raiz para todo o coletivo. Nela, na Constituição da República Portuguesa, temos as regras de participação nas decisões coletivas. Da prática dessas regras, podemos encontrar resultados que podem ou não, corresponder às expetativas que criaram os “pais” da constituição. Pais sim, que foi feita no tempo do poder paternal e nem sonhavam eles que havia de durar até agora, época em que a responsabilidade parental cabe também e em igualdade de circunstâncias… às mães! Mas se a constituição tivesse tido mães, se fosse uma genuína filha delas, não seria como é: fechada, triangular, hierárquica, limitadora dos exercícios de poder que reparte porque não tem coragem para responsabilizar os seus executores! Imagino que as mães da constituição a deixariam mais solta, mais aberta à criação e também mais responsabilizadora dos seus atos, todos os que a praticam! Essa seria a grande diferença!

A CRIAÇÂO
A vontade paternalista que presidiu e enformou a nossa constituição foi idêntica à que criou outras, mas como em todas as receitas, os ingredientes e a cozinha são mais importante que a receita em si, por melhor que esta seja! Por idêntica razão à que faz o cozido, o torriscado, a boleima e os ovos-moles serem aquelas maravilhas que não imaginamos trocar de locais e gentes, também cada povo deveria ter a sua constituição e não a universal stone-soup que nos dão invariavelmente! Sim, pode-se concluir que o regionalismo já devia de ser uma realidade! Mas dessa receita minutada que nos deram há 37 anos e das emendas que lhe fizeram, talvez uma apenas tenha servido para adaptar a receita aos ingredientes e à cozinha! As outras mexidas, foram para a tornar ainda mais igual ao que não é: europeia. Nem será, que a Europa não tem a variedade e riqueza que esta terra tem! Mas como ainda está o pai na cozinha, temos de comer da sopa de pedra!

A METÁFORA
Agora imagine-se, com esforço mas imagine-se que a mãe resolve tomar conta da cozinha e usar os ingredientes que conhece. Imagine-se o banquete feito daquilo que ao pai sobraria porque não lhe sabia o que fazer! E ao gosto de cada familiar, sem obrigar os putos a comer favas nem os homens a comer couves! Mas cada um teria a sua função na tarefa da preparação do banquete, com responsabilidade que se apuraria na hora de distribuir o próximo banquete. (Nada de acreditar que a mãe e o pai são as mulheres e os homens, que isso é reduzir a humanidade ao que ela não é!) Vamos a ver o que se aproveita da constituição: começando por algum lado que não é importante onde se mexa primeiro mas é urgente mexer no essencial que são as responsabilidades. Os constituintes deixaram as responsabilidades para o povo. De vez em quando, este tem a responsabilidade de despedir os cozinheiros e contratar os que melhor se fizeram parecer. Também tem a responsabilidade de sustentar a dispensa através dos impostos. E os cozinheiros? Têm como responsabilidade encherem-se enquanto dura o contrato pois sabem que acabado este, tudo pode acontecer! Do mais, se fazem bispo ou deixam estragar a farinha, nada lhes é imputável! De modo que podem esbanjar, rebolar na nata e trocar os ingredientes à vontade do momento, pois daqui a outro contrato já ninguém se lembra!

RESPONSABILIDADE
Como é que podemos fazer de maneira diferente? Responsabilizando os cozinheiros, claro! Todos os que tocam na receita e tenham como missão usá-la, devem ser responsabilizáveis. Do parlamentar ao juiz, do diretor-geral ao médico, todos devem ser responsabilizáveis. Esse é o grande déficit da nossa democracia tentada: de responsabilização.  Porque não respondem os deputados perante quem os elege? Porque quem os elege é o povo português e esse é que tem a responsabilidade na escolha! Se os deputados fossem eleitos por certo círculo de cidadãos a quem tivessem de prestar contas a miúde, diretamente, a qualidade do parlamento seria outra! E o juiz, quando larga a sentença na vida das pessoas agravando-lhe o inferno do recurso à justiça, sempre com a desculpa de que o cidadão pode recorrer para tribunal superior se não lhe servir aquela sentença, se fosse responsabilizável pela lei que não usou ou o princípio que preteriu, a qualidade da justiça seria outra! Quando do diretor-geral resolve remodelar a decoração e o staf deitando fora tudo o que podia continuar a servir bem, se lhe saísse do bolso e do seu crédito social, pensaria duas vezes!

O POVO
Mas afinal, como é que o povo, esse eterno responsável pelas más escolhas das nossas democracias tentadas se tem enganado tanto? Como é que a sabedoria do povo que tão brilhantemente o tem norteado estes quase 19 séculos, de repente num espaço de menos de 40 anos consegue dar tanto tiro nos pés? Tudo começa na receita com as suas condicionantes de por um lado, querer fazer omeletes sem partir os ovos como é o caso da responsabilização e da mais grave condicionante que é obrigar o povo a fazer os bolos sem poder abrir os pacotes da farinha! Acontece que quem tem a farinha tira disso bom partido e blindou mesmo os pacotes, de tal forma que eles não se abrem nem durante as misturas nem durante a cozedura! Vai daí que quem quer passar incólume por todo o processo democrático, basta entrar num dos pacotes da farinha, de preferência dos grandes que têm mais resistência! Algum povo esperto, foi logo o que fez e se as coisas no seu pacote começam a ficar apertadas, é só mudar de pacote! Mas a maioria do povo não é de natureza empacotável. É povo mas andar avulso não lhe causa ansiedade!

OS PACOTES DIFERENTES
O povo acarreta a responsabilidade de escolher o que não quer, pois de entre farinha do ano ou farinha de mistura, desde que vá conseguindo viver, pouco lhe importa! Se a fábrica tivesse intenção de partilhar, abriria as embalagens de farinha. Parece que a constituição - a receita - até prevê algo quando diz que os pacotes devem integrar os independentes. Mas não diz que tipo de integração e responsabilidade deve ter a embalagem. Por isso, ignore-se essa parte que não dá para aplicar. Assim os partidos vão continuar blindados e incólumes ao povo e à democracia também. E o parlamento reflete bem isso. A miúde, vão nascendo outros pacotes mas são pequenos e por isso, dão imenso jeito aos grandes que vêm mais algum povo embrulhado em pacotinhos que não conseguem chegar à cozinha mas enquanto se vão embrulhando, não ameaçam estragar os pacotes maiores. A receita deveria obrigar a cozinha a usar, também dos pacotes pequenos, assim numa proporção razoável para eles se sentirem parte da receita.

ALGUMA REALIDADE
De nada vale à democracia fazer pacotes ou partidos que serão sempre mais pequenos e servem aos grandes para neles quebrar parte da força que teria de enfrentar se a sociedade já não se prestasse a esse favor. Por isso, seja o que se faça para mudar se não tiver como primordial propósito mudar a receita ou a constituição de modo a que os pequenos partidos também possam cozinhar ou ter assento parlamentar, de nada servem as boas intenções de mudança. Se não querem entrar na cozinha, para que é que usam a farinha? Por rateio ou por imposição de quota parlamentar, pouco importa agora. Nesta segunda década do século 21, importante é que a receita permita que todos nela entrem. Sem esta emenda, nada realmente mudará. Da mesma forma que de nada serve a cozinha ou o parlamento se aos ovos e aos pacotes de farinha que alberga não for suscetível que se possam abrir. Abrir ao povo sempre que este precisa de formação cívica atual e atuante. Sempre que este precisar de conhecer a natureza dos ingredientes que tem de usar.

BASTA DE SERMÃO!
Não sei indicar receitas que me repugnem usar nem saiba fazer. Sou daquelas pessoas que também não ouve quem sabe muito. Diziam os avós que quem sabe muito é o diabo porque é velho. Prefiro sempre quem faz. Aceito de bom grado quem faça melhor que eu e estou sempre disposta a mudar para melhores práticas. Por isso não me atrevo a indicar caminhos nem a apontar erros aos outros. Não há na vida tempo para apontar erros; há sim, tempo para corrigir e melhorar, adaptar e construir até à satisfação possível. Nem me passa pela ideia dizer que o que penso acerca do nosso sistema político é o que está definitivamente correto. O tal sistema é feito por pessoas que imagino a esforçarem-se para dar o melhor que podem de si à sociedade. Se essa sociedade as deixa agir impunemente em ocasiões críticas e se recusa a ver os defeitos da sua matriz, que posso eu fazer? Grande parte deste modus operandi já existia quando vou tomando consciência dele e sei do meu tamanho para fazer a diferença: só a posso fazer em mim, na minha prática. Por isso, recusar fazer parte do que entendo por mais nocivo é-me vital. Por tudo isto, não quero fazer parte de um qualquer saco de farinha para apodrecer na despensa desta cozinha velha feita para empanturrar frades. Fiquem com todo o poder que cá me governarei como o grão de trigo se governa com a chuva e o sol no torrão comum: as circunstâncias farão o resto! Afinal, é da força dos grãos que não entram na moagem que se faz o melhor fermento, diz o povo! Modéstia aqui rima com moléstia!\\ 


 
Maria Leonor Vieira (Membro da Coordenação Nacional +D) Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

sábado, 14 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Que nos fique a semente de Mandela…

Nos últimos dias, desde a morte de Mandela, muito se tem falado deste Homem nos diferentes órgãos de comunicação social e até entre as pessoas nos cafés e aqui e ali. Os que conhecem melhor a sua vida, com comentários mais corretos. Os que a conhecem pior (ou mesmo muito pouco), relatando atabalhoadamente como seu conhecimento próprio o que ouviram minutos antes a outros aparentemente bem sabedores.

Mas ainda bem que se fala de Mandela! Pelo menos que se fale e que se elogie, mal não fará se se venerar mesmo, de alguém que só pode ser um exemplo e, por outro lado, uma vergonha para (quase) todos nós. Ao menos que isso aconteça depois de morto já que quando de apoio mais precisou, não o teve assim tão generalizado pelo mundo fora,  a começar pelos nossos dirigentes portugueses ao mais “alto nível”!

Mas digo que a sua vida também deve ser motivo para nos envergonharmos, não é dele obviamente, é de nós mesmos. Envergonharmo-nos de sermos passivos, de sermos amorfos, de nada fazermos para MUDAR, a não ser falar e criticar na nossa zona de conforto.

Que a vida de Mandela, que o seu sofrimento e a sua luta, tenham não só servido para acabar com o apartheid, para libertar o seu povo, mas que constitua agora, na hora da sua morte, um abre-olhos para muitos; que a vergonha que devemos sentir ao comparar-nos, nos desperte para sermos cada um de nós um pequeno mandela








Francisco Mendes (Membro da Coordenação Nacional +D)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Intervenção MaisDemocracia na Convenção Democratica Nacional "Em Defesa de um Portugal Soberano e Desenvolvido" (9 dez 2013)

1.
Recentemente, fui candidato autárquico independente, em Lisboa, pela lista MaisPenha.
Atualmente, sou ativista do movimento e associação nacional MaisDemocracia, que inscreve nos seus propósitos e âmbito a promoção da democracia participativa e direta.

2.
Vivemos desde 1975 sob "Democracia Representativa", ou seja, em democracia de quatro em quatro anos, com hiatos de permeio. Como aquele em que hoje vivemos... esta "democracia representativa" exprime-se na forma de uma "rotação de culturas", de duas folhas, que faz alternar PS e PSD no poder e que levou à estagnação económica desde 2000, ao falso crescimento da década precedente (e a uma bolha imobiliária que ainda não estourou), a uma corrupção epidémica e impune e, sobretudo, ao país mais desigual da Europa e ao sexto mais desigual de todo o mundo desenvolvido.

3.
Os partidos da rotação agem como se fossem um único bipartido (um partido único, com duas tendências). Estão fechados sobre si mesmos, e virados para dentro dos aparelhos.
Estão controlados pelos "boys" e "boyas" e dominados por jotas, não somente em Portugal (a experiência extra-partidária de Seguro e Passos é muito limitada ou inexistente), mas também na Europa, nomeadamente na Europa, por exemplo, no Reino Unido, com Camerom e Milliband, também eles produtos internos dos aparelhos partidárias.

4.
Os partidos da rotação não se abrem aos cidadãos, nem sequer aos seus militantes. Apenas as cliques dos líderes e os aparelhos têm alguma influência, como decorre, por exemplo, da constatacao de uma vaga expulsões no Partido Socialista como consequencia das últimas autarquicas.

5.
O que faz falta?
Falta desenvolver o que já existe:
.referendos nacionais de iniciativa cidadã (exigem 75 mil assinaturas)
.referendos locais autarquicos de iniciativa cidadã (exigem 5 mil assinaturas)
.iniciativas legislativas de cidadãos (exigem 35 mil assinaturas)
.candidatutas autarquicas independentes (exigem - nas grandes cidades - até 4 mil assinaturas)
.candidaturas presidenciais (exigem 7500 assinaturas)
.novos partidos políticos (exigem também 7500 assinaturas)

Falta assim atualizar estes mínimos de assinaturas, atualizando-os em função do declínio demografico das últimas década, intensificado agora com este terrivel exodo de 120 mil emigrantes por ano, um recorde que bate até os altos níveis da década de 60 (mas agora num novo contexto de baixa natalidade).

Falta ainda abrir a Assembleia da República a candidatos independentes, fora dos partidos (porque existe política para além dos partidos), eleitos em círculos uninominais de base nacional.

6.
Precisamos assim - se é que tal ainda é possível - reformar os "velhos" partidos, introduzindo métodos internos de democracia participativa e direta e leva-los a adotarem posições que conduzam ao desenvolvimento das ferramentas já existentes (referendos, ILCs, candidatos independentes, novos partidos, orçamentos participativos, etc).
Se não for possível reformar estes "velhos" partidos precisamos então de criar novos partidos, de base cidadã e que promovam a democracia direta e participativa.




Rui Martins (membro da Coordenação Nacional do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Obrigada Mandela

Que, por instantes, a terra se cubra de silêncio. Que se ouçam os cantares dos pássaros e o esvoaçar das suas asas. Que se sinta o escavar lento e continuado das formigas, a remexer o interior da terra. Que a chuva acalme as poeiras suspensas, as aglutine, una, e transforme. Que toda a atmosfera se torna clara ondulante e, os que vivem, se prostrem em contemplação porque um meteorito que desceu à terra, produziu um brilho intenso subiu à glória das alturas. Que se escancarem as portas do céu e se faça PAZ em cada um. Que à esfera planetária se constitua uma imensa constelação de humanidade. Que todos se curvem ante a grandeza da liberdade, justiça, perdão. Que cada um aprenda a ser uma pessoa melhor pois “o mundo tem que se modificar não pelas diferenças mas pelas esperanças comuns”. Tu, Mandela que foste “dono da tua alma, comandante do teu destino” (afinal do nosso), que esperas de cada um e de todos, para a continuação da tua obra? Partiste (?) não, Ficaste (!) O mundo escuta a tua lição, o teu testemunho. Obrigada e até sempre, MADIBA .


Conceição Couvaneiro (Conselho Geral do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

[Opinião +D] O legado de Mandela: elogio politicamente incorrecto

Não parecem ser frequentes as situações em que a elevação ética coincide com a racionalidade político-económica – às vezes, parece até que estas duas posições são por inteiro incompatíveis. Vem isto a propósito do líder histórico da África do Sul, Nelson Mandela. Na sua morte, ele tem sido sobretudo elogiado pela sua elevação ética – em particular, na sua relação com a minoria “branca” sul-africana. E todos os elogios que se lhe possam fazer nesta área não são demais.

Aqui, porém, vamos elogiar Mandela pela racionalidade da sua posição político-económica. Com efeito, ao não se ter vingado da minoria “branca” sul-africana, como muitos dos seus camaradas reclamaram, Mandela preservou a viabilidade política e sobretudo económica do seu país. Ao contrário de outros líderes africanos que cederam a essa tentação e, com isso, desmantelaram as alavancas maiores das economias dos seus países – lembre-se o caso exemplar do Zimbabué de Robert Mugabe –, Nelson Mandela percebeu bem que expulsar a minoria “branca” (ou “atirá-la para o mar”, como ainda hoje se ameaça) seria suicidário no plano económico.


Não é pois por acaso que, não obstante todos os seus graves problemas sociais, que se mantêm, a África do Sul continua a ser o país mais economicamente pujante daquela região. Ao contrário de outros países – incluindo, é bom não esquecê-lo, algumas ex-colónias portuguesas –, a África do Sul percebeu bem que um regime democrático deve distribuir o mais justamente possível a riqueza criada. Mas, para que tal aconteça, importa primeiro que se crie riqueza. Só se pode distribuir o que existe. Não o que se destrói, por muitas (justas) razões que se tenham para tal.






Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Proceda-se em conformidade…..

Sempre admirei Mandela e a capacidade que demonstrou no processo de transformação do regime do Apartheid na África do Sul e do exemplo que foi para o mundo, mas deixem-se de hipocrisias e exaltações bacocas ao que Mandela fez e procedam em conformidade…. que isto mudaria.

Não falo de reconciliação, falo de justiça e de acima de tudo, não fazer aos outros o que não gostam que se lhes faça. O coro de carpideiras que vem a terreiro tecer loas a quem nunca deram crédito, nem apoiaram, só me causa vómitos, para além de que a prática recorrente e que continuamos, enquanto povo, a sufragar, está nos antípodas daquilo que enaltecem. Lembrem-se dos Estaleiros de Viana do Castelo para não ir mais longe e estejam atentos ao que por debaixo desta cortina de lágrimas de crocodilo o governo vai tentar passar.
O luto é por nós todos e três dias não chegam. Acordem e procedam em conformidade!



Carlos Seixas  (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

[Opinião +D] A democracia directa e participativa é de esquerda ou de direita?

Ainda que acredite que, hoje em dia, a dicotomia convencional esquerda-direita esteja verdadeiramente ultrapassada, a verdade é que até para efeitos de futuros e eventuais posicionamentos de um possível partido político que siga os princípios da democracia participativa e direta é importante responder a esta pergunta: um partido de Democracia Participativa seria um partido de Direita ou de Esquerda?

A questão pode levar a um extenso debate e está bem além dos limites estreitos destes artigos de opinião, mas pode ser abordada de forma sumária: existem duas formas de classificar um partido à "esquerda" ou à "direita":
1. Em função da preferência pela primazia da tradição frente à inovação social e económica
2. Em função da primazia pelo indivíduo (Direita) perante o coletivo (Esquerda)

Nestes dois eixos, um eventual (e inexistente) Partido da Democracia Participativa posiciona-se claramente pela banda da inovação dos métodos democráticos e de novas e mais amplas formas de participação política dos cidadãos, logo será - neste eixo - de "esquerda". No segundo, contudo, o posicionamento é menos claro... se por um lado, um partido de Democracia Participativa defende os interesses e preocupações do indivíduo, garantindo que este tem um peso efetivo e direto em todas as decisões que lhe dizem respeito, por outro, os seus mecanismos implicam que em votações (simples ou por maioria) a vontade do indivíduo pode ser contraditada pela do coletivo, logo, esse eventual partido seria de... "esquerda"...

Qual é a vossa opinião?




Rui Martins (membro da Coordenação Nacional do +D)

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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

[Opinião +D] “A mão invisivel” ou a vegonha de quem estende a mão

Para além da crise sufocante que se vive, o que mais preocupa são os comprometedores caminhos políticos trilhados, porventura sem retorno, no que respeita à sociedade para todos. As orientações, marcadamente ideológicas, não deixam antever um mundo justo. As idéias repetem-se, a história reconta-se. É preciso aprender com as suas lições. Há ideologias que mais não fazem do que defender o interesse de poucos, em detrimento de muitos. Não porque os homens sejam maus mas mas porque são, acima de tudo guiados, pelo interesse próprio. Como resultado da sua ambição, os meios escasseiam para os outros. Se o liberalismo surgiu, nomeadamente o económico, com base no ideal de igualdade e de liberdade, sem submissão a “um rei ou senhor” pode fazer sucumbir o interesse social e aniquilar o direito das maiorias. No mais perfeito dos mndos, os liberais estabeleceriam uma relação de equilibrio, entre os seus valores e os da sociedade. A história veio provar que não acontece assim e, a psicologia, pode explicar este fenómeno de desregulação. A sociedade, por ser diversa, não se apresenta igual no domínio das competências e das oportunidades. Por conseguinte a posse, em excesso, de uns conduz outros, à mais vil das carências. Não tinha razão Adam Smith, quando preconizava que, num sistema liberal, “uma mão invisivel” conduziria à realização do bem comum. Verificamos que, não obstante tal, amplos movimentos sociais se desdobram em boa vontade, para suprir as dificuldades gritantes, em que muitos vivem. São prova disso as campanhas do banco alimentar contra a fome, com as mais de duas mil e setecentas toneladas de alimentos recolhidos, a mobilização de 400.000 voluntários à porta de quase todas as grandes superficies, ao longo do País. Naquilo a que alguns chamam “economia da fome”, está-se longe de viver o ideal da igualdade e da justiça. Da liberdade para todos. Não se pode imaginar a vergonha e o vexame de quem estende a mão. Outros, vão fazendo subir, ainda mais, as suas fortunas. A mão que se estende, não é, pois, invisivel, mas a da vergonha.


Conceição Couvaneiro (Conselho Geral do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

[Opinião +D] 1º de Dezembro

Passou-se mais um 1º de Dezembro e percebe-se bem o incómodo que a data, apesar de deixar de ter sido feriado oficial, gera – sobretudo na nossa classe política. Nas últimas décadas, impingiram-nos a tese de que a independência política era um valor anacrónico. Hoje, todos dizem lamentar a sua falta e alguns falam mesmo da necessidade de uma “Restauração”.

Decerto, no Século XXI a independência política não se pode equacionar nos mesmos termos do passado. Num mundo cada vez mais globalizado, um país como Portugal, sobretudo depois do Império, só pode sobreviver integrado em plataformas político-económicas mais vastas – no nosso caso, falamos 
da plataforma europeia e da plataforma lusófona.


Ainda assim, importa ter a independência política suficiente para podermos gerir, soberanamente, a integração nessas duas plataformas. O que deixou, em grande medida, de acontecer. Ao contrário, por exemplo, da Grã-Bretanha, que nunca deixou que a (Des)União Europeia condicionasse a sua aposta estratégica na Commonwealth, Portugal desprezou, durante décadas, a aposta estratégica no espaço lusófono, crente que a (Des)União Europeia nos bastaria. O que foi, decerto, um dos maiores erros geopolíticos da nossa história.






Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

domingo, 1 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Quem nos governa realmente?

Perdoem-me voltar a este tema mas a ingenuidade e despreocupação com que muitos continuam a olhar para a atual União europeia preocupa-me.
Ontem no lançamento do seu livro de memórias, Zapatero afirmou que, em 2011, a chanceler alemã, Ângela Merkel, lhe propôs uma assistência financeira de cerca de cinquenta mil milhões de euros, garantindo também que Itália iria receber oitenta e cinco mil milhões de euros. A esta sugestão, ter-se-ão também juntado pressões do ex-diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, em Junho de 2010 e do antigo Presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, numa carta que enviada, a Zapatero, em Agosto de 2011.
Apesar de não ter cedido a pedir assistência, tal como fizeram Portugal, a Irlanda ou a Grécia, a Espanha acabou por receber ajuda financeira para a recuperação da banca espanhola mas Zapatero afirmou que a verdadeira ajuda chegou de Tony Blaire e não das instâncias que supostamente “queriam ajudar”. Falou de uma espécie de aliança espano-inglesa para superar aquele período difícil e criticou a falta de um verdadeiro espírito europeu. Culpou a Alemanha de agudizar o problema da falta de solidariedade na Europa, sobretudo, através do eixo franco-alemão.
Zapatero afirmou que os países que mais tinham de convergir, foram quem mais sofreu com a crise mas acabou por desejar que nenhum país saia do euro, nem da União Europeia. Eu sempre desejei o mesmo mas, hoje em dia, já me questiono sobre o que realmente existe de união nesta Europa. Europa essa, onde parecem existir cada vez mais países à beira da rutura iminente e o pior é que os mais fortes estados parecem muito pouco interessados nisso e bem mais preocupados em acumular mais e mais riqueza.
Isto faz-me lembrar outra notícia desta semana, a de que os muito, muito ricos de Portugal, estão cada vez mais ricos. Até tinha graça se não fosse trágico. Num país onde os níveis de desemprego atingem níveis nunca antes vistos, em que há cada vez mais idosos a viverem e a morrerem mais e mais sós, em que as famílias recorrem cada vez mais às filas da caridade, em que dia para dia mais crianças vão para a escola com fome e em que cada vez mais jovens fogem daqui para fora. Os mais ricos estão mais ricos!!! Extraordinário! Se bem que, não era de esperar outra coisa…
Só me apeteceu chamar-lhes... Patriotas!!! É isso. São uns ótimos patriotas e pergunto-me se se sentem bem à noite. Mas claro que eu não passo de uma ingénua sonhadora que todos os dias acordo e me atrevo a pensar que este país irá voltar a melhorar porque todos nós amamos Portugal.

Margarida Ladeira (Membro da Coordenação Nacional +D)
Este comentário é da exclusiva responsabilidade da sua autora

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

[Opinião +D] Fui “só” mais um…

Tinha decidido não ir… É que para ir de Santarém a Lisboa gasta-se um par de Euros o que para mim começou a ter um significado crescente de há uns já largos tempos para cá.

Mas fui… No domingo passado decidi ir à Homenagem a Ramalho Eanes que decorreu no dia 25 de novembro à tarde. E fui também porque não podia deixar de o fazer por um Homem vertical, íntegro, justo, humano, …; resumindo, por um Homem com as características que não têm minimamente aqueles tantos que hoje nos governam e governaram e que são os grandes responsáveis por eu já ter dificuldade para ir muitas vezes a Lisboa e, muito mais grave, que são os grandes responsáveis por muitos de nós portugueses já termos de poupar até no comer!

Conhecem muita gente capaz de prescindir de mais de um milhão de euros por princípios, por valores, como ele fez?! O quê?! Conhecem alguém? Quantos? Dois? Um? Então são mesmo uns sortudos…
Claro que a minha presença não aqueceu nem arrefeceu. Pelo menos aparentemente. Fui só mais um. Mas a real questão é que é mesmo de muitos “só mais um” (mas unidos) que precisamos, que Portugal precisa, para fazermos a diferença, para começarmos a mostrar que temos força e que não vamos mais continuar a deixar que lidem connosco como se fossemos farrapos…







Francisco Mendes (Membro da Coordenação Nacional +D)

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

[Opinião +D] Recuso a Pequena Prepotência como antecâmara da Grande Arrogância.

Recentemente, quando vi (mais uma vez) uma carrinha da EMEL multando condutores mal estacionada em segunda fila, abordei o motorista da mesma perguntando-lhe diretamente se achava que estava a dar um bom exemplo ao fechar assim uma via de circulação (junto ao Maria Matos).
O funcionário, façanhudo, não respondeu, mas de imediato fui rodeado por quatro fiscais da EMEL que me perguntaram o que queria, porque os estava a incomodar e ameaçaram chamar a PSP, porque tinha fotografado a carrinha estacionada em situação irregular (mas não os funcionários ou a matrícula da mesma).
Obviamente, estes funcionários não estão habituados a serem confrontados pelos cidadãos e reagem com a prepotência e arrogância típica de quem se julga acima da lei.
De facto, sabia que não me podiam tocar, apesar do seu cerco físico e intimidatório e que a chamada da PSP era um bluff sem fundamento (desde logo, se esta estivesse presente o agente teria que apresentar multa ao veículo da EMEL), mas a verdade é que estas atitudes de exigência e de confronto (não confundir com conflito) dos cidadãos para com os representantes do Estado são ainda demasiado raras.
Quantas vezes eu próprio, perante um evidente abuso de autoridade me silenciei e olhei para o lado? Qual é, ainda hoje, o peso do "medo da autoridade" herdada do Salazarismo e vindo da Inquisição na mentalidade coletiva nacional? O que podemos todos fazer para sair deste torpor? E, sobretudo, qual é o papel desta nossa conhecida passividade coletiva nesta profunda e duradoura crise económica e social que vivemos? 




Rui Martins (membro da Coordenação Nacional do +D)

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terça-feira, 26 de novembro de 2013

[Opinião +D] E nós continuamos na mesma?

Muitos estonteantes acontecimentos políticos têm acontecido ultimamente e merecem reflexão. Panóplias de protestos, vindos de todos os quadrantes, surgem cada vez mais musculados. Os militares e as forças militarizadas tomam posição e manifestam-se. As posições surgem por vezes controversas como, por exemplo, o ultrapassar o limiar permitido, junto às escadas do parlamento. Miguel Macedo que, quanto a mim, se tem vindo a revelar hábil na condução de algumas políticas refere e com razão que ”a democracia tem regras que devem ser respeitadas”. Contudo os governos têm que ter a sensibilidade necessária para manter os limites considerados toleráveis para que a deontologia possa ser respeitada. Para que o equilíbrio social se mantenha e se respeitem os mais elementares direitos humanos. Um homem de 68 anos, presente na manifestação de hoje, chorava ante a repórter e as câmaras, referindo a situação de precariedade da sua família. A fome alastra, são mais de 400.000. Cada vez mais os “bem-intencionados” fazem caridade, mas a justiça, onde anda? Como é que se pode justificar, nesta conjuntura, o aumento tão substancial de fortunas milionárias? Num Pais onde as questões do género são o que são, noticia-se hoje, que Portugal é o Pais com maior número de mulheres milionárias. E o número das que não têm trabalho nem pão para os filhos? Os polícias que agora se manifestam são os que, na defesa da ordem, são punidos, socrestados, mortos, quando a defesa do bem público o exige. Quanto ganham e que segurança têm, face a outros ”servidores do Estado” a quem também pagamos? Hoje é um momento de particular relevância porque é a aprovação do orçamento geral do estado. Catastrófico, anunciam. Parece, pois, legítimo lutar pelos mais elementares direitos pois todos somos gente. Como dizia um poema de que me não lembro o autor: “Porra! Um homem morreu condenado e nós continuamos na mesma. Mais vinho para a nossa mesa”.

 
Conceição Couvaneiro (Conselho Geral do +D)

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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

[Opinião +D] A justiça soarista

Mário Soares prossegue a sua saga persecutória contra o actual Presidente da República e o presente Governo, num registo que vai desde a ameaça de um julgamento em tribunal até à sugestão de uma execução sumária com aclamação popular.

Apenas não se percebe porque restringe Mário Soares a sua saga persecutória ao presente Governo e ao actual Presidente da República.

Em coerência, Mário Soares deveria ir bem mais longe. Deveria apelar à condenação de todos aqueles que, do passado mais recente ao passado mais remoto, não defenderam devidamente os interesses de Portugal. Mas compreende-se a incoerência: indo por esse caminho, Mário Soares acabaria por condenar-se a si próprio.






Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
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