quinta-feira, 30 de outubro de 2014

[Opinião +D] Contrapor crescimento a austeridade é infantilidade ?

Senhor Primeiro Ministro o senhor é que me parece desde há muito tempo um menino mimado que esperneia quando o tio do Tribunal Constitucional lhe limita a sede de dinheiro com que ataca as tias velhotas e os primos afastados. O senhor não conseguiu limitar a máquina de consumos dos seus amigos e acha que estamos a ser infantis se procuramos que haja mais saúde, mais educação, mais justiça?. Olhe senhor Primeiro Ministro nestes casos, até, nem sempre estamos a falar de mais recursos, mas menos truques de surripianços que esses sim infantilmente são sufragados por mestrandos, doutores, professores, senadores e outro malfeitores. Faça-se um homenzinho e deixe-se de infantilidades porque isso de acreditar que está a resolver algum problema sem pôr estes abutres no sítio vai dar a outro BES sem saída. A legitimidade do lugar que ocupa não aligeira a responsabilidade de manter um país coeso. Infantil é querer só para si e para os seus amigos os mimos disponíveis.




Carlos Seixas  (membro da Coordenação Nacional do +D)



Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

[Opinião +D] "Impacto do TTIP (Parceria Transatlântica) na agricultura europeia e em Portugal"

"Em primeiro lugar, estranha-se que nos vários estudos conhecidos sobre o impacto do TTIP (Parceria Transatlântica) na economia europeia, o setor agro-alimentar não tenha merecido um capítulo específico. Tal omissão é tanto mais estranha quando sabemos que quando falamos de União Europeia e de Estados Unidos, estamos perante os dois maiores produtores mundiais de alimentos... Tal omissão só pode ser intencional e desperta a curiosidade e o receio que seja precisamente aqui que recaia o impacto mais severo do TTIP na economia europeia. 

Existem estudos que apontam para um aumento da produção de alimentos e bebidas na União Europeia em 0,9% após a entrada em vigor através de um aumento das exportações europeias para os Estados Unidos em 1,18%.
Este aumento resultaria mais de alterações a nível das ditas "barreiras não alfandegárias" do que das taxas, uma vez que elas, em média, já são bastante baixas (5% em média). O grande impacto do TTIP sobre a agricultura europeia advém daquilo a que se designa por "barreiras não tarifárias" ou melhor, regulamentos e normativas, especialmente no campo da Segurança Alimentar e do Ambiente onde se estima que essas barreiras oscilem entre os 90% e os 60%. Neste campo, a remoção total ou parcial destas "barreiras" poderiam aumentar o comércio entre os dois lados do Atlântico. Mas temos que ter em conta que a escala das explorações agrícolas norte-americanas é muito maior que a das europeias: Nos EUA, existem apenas 2 milhões de explorações agrícolas, enquanto que na Europa existem mais de 13 milhões. Ou seja, em média, nos EUA, uma exploração agrícola é 13 vezes maior que uma europeia… Isto significa economias de escala e grandes vantagens competitivas pelo que a supressão dessas "barreiras" vai favorecer o maior operador e criar uma reacção em cadeia de falências, aquisições e fusões na Europa com graves reflexos na independência alimentar e no Emprego no continente europeu. 
 
Possíveis ameaças do TTIP à agricultura portuguesa: 

1. As "Indicações Geográficas" (IG) de origem dos produtos agricolas são, desde à muito, um ponto de crítica por parte dos EUA. Nas negociações do TTIP, sabe-se que esse ponto é alvo de acesa discussão entre as partes, com a UE a resistir quanto à abolição da protecção das mesmas no mercado norte-americano. O ponto, contudo, ainda não está encerrado e não é possível que a UE ceda em prol de uma cedência contrária noutro ponto do extenso tratado. 

2. A indústria do tomate portuguesa exporta atualmente 95% da sua produção, o que representa mais de 300 milhões de euro por ano, em exportações. Sabe-se que o tomate produzido nos EUA é mais barato, devido a custos de contexto inferiores. Com a liberalização induzida pela aplicação do TTIP, esse tomate barato invadiria os mercados europeus para onde Portugal exporta a maioria da sua produção, com graves danos nas empresas portuguesas do setor e no emprego de mais de oito mil cidadãos. 

3. Na pecuária, as maiores ameaças para a produção nacional viriam das carnes e do leite e derivados, especialmente nas carnes de bovino, suínos, aves e ovos. Os custos norte-americanos são entre 50% a 80% mais baixos que os europeus, somando-se a enorme escala das produções pecuárias norte-americanas, com grandes economias de escala e fácil acesso ao financiamento bancário (o qual é mais difícil na Europa).

3. Em termos de Segurança Alimentar, nos EUA são utilizadas regras de bem-estar animal mais permissiveis, assim como se utilizam correntemente substâncias (hormonas de crescimento e antibióticos) proibidos na Europa, por razões de Saúde Pública e prevenção de problemas de Segurança Alimentar. Contudo, estes produtos fazem com que os custos de produção sejam mais baixos nos EUA que na União Europeia. A pressão provocada por estes produtos iria afetar seriamente a sã concorrência na Europa e levar ao colapso de muitos produtores, sobretudo nos países de menor dimensão, como Portugal. 

4. O TTIP poderia desbloquear as exportações portuguesas de azeite para os EUA. Mas há que ter em conta que estas poderão ser também desbloqueadas, fora do TTIP, através da integração dos EUA no Comité Oleícola Internacional (COI), cujas negociações decorrem atualmente.
Por outro lado, há também que sublinhar que, apesar do aumento em 50% da produção recente, Portugal mal consegue produzir o suficiente para as suas necessidades, sendo forçado a importar a maioria do azeite que exporta... é assim duvidoso que exista a capacidade para explorar esse novo mercado que o TTIP ou a adesão dos EUA ao COI iria abrir.

 5. As barreiras regulatórias nos EUA são atualmente o principal obstáculo a um aumento das exportações de vinho para os EUA. De facto, já deveriam estar eliminadas ou, pelo menos, reduzidas desde 2005, ano em que se firmou um Acordo Bilateral UE-EUA relativo ao vinho. Para as resolver, não precisamos do TTIP... precisamos apenas que se aplique o já acordado em 2005. De recordar que os EUA continuam a usar abusivamente designações "semigenéricas" (Burgundy, Chablis, Champagne, Chianti, Claret, Haut Sauterne, Hock, Madeira, Malaga, Marsala, Moselle, Port, Rhine, Sauterne, Sherry, Tokay e Retsina) com grave impacto no prestígio e marcas de vinho europeias. E que resistem a que este tema seja resolvido no seio do TTIP... 

Em suma, o TTIP vai representar um sério desafio à sobrevivência do setor agro-alimentar europeu, e no particular, em Portugal. O modelo agrícola europeu é muito diferente do norte americano, quer pela escala, quer pela organização industrial. Isto significa economias de escala e grandes vantagens competitivas que esmagarão os produtores europeus. Além do mais, a aplicação do TTIP na agricultura portuguesa vai aumentar a distância entre o norte e o sul da União Europeia. A estrutura produtiva dos países do sul (com Portugal à cabeça) está muito menos desenvolvida, é menos competitiva e será mais frágil na resistência à competição com a indústria norte-americana. Este tratado terá graves consequências na agricultura portuguesa e talvez seja por isso que as negociações decorrem à porta fechada, de forma secreta e o tema está praticamente alheado do debate e discussão pública..."




Rui Martins (membro da Coordenação Nacional do +D)
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terça-feira, 28 de outubro de 2014

[Opinião +D] Dois pesos, duas medidas?! …

Esta é uma realidade que já não vem de agora. Remonta a 2012! Mas, por estranho que pareça, não se vê jeitos de ser corrigida.
Todos sabemos que, cada vez mais, os portugueses em geral não conseguem pagar as suas despesas correntes e essenciais de alimentação, água, luz, etc., muito menos conseguem fazer frente a taxas e impostos que os pressionam sempre mais e mais!
Por isso mesmo, também cada vez mais e mais, as dívidas à Segurança Social e às Finanças aumentam de volume. Daí às penhoras vai um passo. 
Mas as coisas piam bem mais fino quando essas penhoras são das casas em que cada um habita e que, se se ficar sem elas, raramente se terá para onde ir viver com a família a não ser para debaixo da ponte.
Mas a estranha realidade de que falava no início, é que Ministério das Finanças e Ministério da Segurança Social encaram e atuam sobre estas situações de forma claramente diferente. O segundo é sensível à “dignidade da pessoa e o seu direito à habitação” e não penhora moradas de família. Já o todo prepotente e carrasco Ministério das Finanças considera certamente que sensibilidade é fraqueza e não se rala minimamente para onde é que cada um de nós vai parar, que é como quem diz, morar…
Mas o país destes senhores não é o mesmo?! E não fazem até estes dois ministérios parte do mesmo Governo?!
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Francisco Mendes (Membro da Coordenação Nacional +D)


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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

[Opinião +D] Do suicídio da nossa cultura e ciência

Não tão evidente quanto a ocupação política e económica de Portugal nas últimas décadas, a ocupação da nossa cultura e ciência não tem sido, ainda assim, menos vigorosa. Se em troca dos famosos fundos europeus aceitámos destroçar grande parte da nossa agricultura, das nossas pescas e da nossa indústria, apenas para dar três exemplos, o panorama da nossa cultura e ciência não é menos desolador.

Tem-se falado ultimamente mais sobre isso, a respeito das avaliações internacionais dos nossos centros de investigação, mas quase sempre sob um olhar enviesado – na maior parte dos casos, contesta-se o corte no financiamento mas não os critérios que determinam esse mesmo financiamento.

E que critérios são esses? No essencial, as avaliações internacionais dos nossos centros de investigação valorizam o nosso “grau de internacionalização”. Até aqui tudo bem – dirão os mais ingénuos. O problema é que essa valorização é igualmente enviesada. A cooperação com centros de investigação do Brasil, ou mesmo da restante América Latina, por exemplo, não é minimamente valorizada. Na verdade, o único factor que realmente se valoriza é a produção científica em língua inglesa.

Não é pois por acaso que, em Portugal, há já Universidades que leccionam cursos em inglês, bem como revistas que só publicam textos redigidos nessa língua. Em nome de um financiamento cada vez mais exíguo, também aqui abdicámos de afirmar a nossa soberania, a nossa autonomia. Como se esta não se afirmasse também, senão sobretudo, na área da cultura e da ciência. Pois como pode continuar a afirmar-se como soberano um povo que abdica de pensar e de escrever na sua própria língua?

No caso da Filosofia, que conheço melhor, o caso assume contornos ainda mais graves, pois que quase toda a produção filosófica anglófona tende a inscrever-se no que em geral se designa por “filosofia analítica” – uma tradição bem diferente da chamada “filosofia europeia continental”, onde a tradição filosófica portuguesa se insere. Quem já fez a experiência de escrever filosoficamente em inglês, sabe bem do que falo – nalguns casos, nem sequer há vocábulos para expressar certas diferenças conceptuais. Porque, de facto, uma língua não é apenas um instrumento de comunicação. Ela afecta a própria forma como o pensamento se estrutura internamente.

Também nesta frente, Portugal está hoje num beco sem saída. Quando a nossa política deveria passar por estabelecer parcerias preferenciais com instituições universitárias do espaço lusófono para assim afirmar cada vez mais a língua portuguesa à escala global – aceitamos ser avaliados por critérios que nos afastam desse caminho. Que, da esquerda à direita, não haja nenhum partido com representação parlamentar que denuncie este suicídio cultural e científico, isso já nem sequer nos surpreende. Na verdade, e isso é o que mais custa, este suicídio cultural e científico foi propiciado por muitos de nós. Por isso se trata de um suicídio. 




Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
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sábado, 25 de outubro de 2014

[Opinião +D] Há esperança, mas quase que desanimo!

Como sabemestivemos nas últimas semanas a tentar fazer um inquérito a indivíduos com idades compreendidas entre os 12 e os 30 anos em que a ideia era obter 100 amostras para depois desenvolver actividades dentro do +D.
Tenho a agradecer a todos os que participaram nele (amigos e desconhecidos), apesar de alguns acharem que estaria com outras intenções.
Posto isto, verifiquei que a juventude tem massa crítica, em relação ao governo, à sua situação actual, aos seus estudos, ao emprego. A esmagadora maioria (92%) gostaria de permanecer em Portugal, mas paira sobre as suas cabeças a emigração para um sustento independente dos pais. Embora isto aconteça,foram várias as respostas que demonstraram que esta juventude entende que temos imensos recursos por explorar, mas no seu entender a corrupção é o maior destruidor de riqueza nacional e culpam o governo por falta de transparência.
Acho que há esperança pois se temos uma boa massa crítica podemos começar a construir um novo Portugal e fazer com que todos nós tenhamos melhores condições para aos poucos reconstruir o nosso País.
Tenho pena que falte garra a alguns para demonstrarem a sua insatisfação, pois acho que é tempo de acção.
Fico então com a esperança!

Ricardo Trindade Carvalhosa  (membro da Coordenação Nacional do +D)


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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

[Opinião +D] Prémios por mérito e excelência?!

Recentemente, Zeinal Bava recebeu o grau Doutor Honoris Causa pela Universidade da Beira Interior.
Tempos antes José Sócrates, ex-Primeiro Ministro Português também recebeu uma medalha de ouro e a chave da cidade da Covilhã.
Concordo plenamente com estes prémios.
Para quê dar prémios e incentivar jovens cientistas que se têm distinguido nas suas pesquisas, quando podemos premiar distintos cidadãos que prestaram tão bom serviço a Portugal, deixando empresas e o próprio país em lastimável situação?
Que país tão estranho o nosso, em que se premeiam pessoas ao invés de as julgarem e condenarem pelos seus atos ruinosos!
Quando é que começa a haver justiça e se começam a condenar os culpados nos processos BES, BPN, Face Oculta, Submarinos, etc?
Eu acredito, que dentro em breve estes casos vão ser julgados e os verdadeiros culpados vão ser condenados. Ou será ingenuidade minha ? 

Carlos Assunção (membro da Coordenação Nacional do +D)

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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

[Opinião +D Tanto barulho por nada

Em miúdo a minha rua era forrada de pedra rolada e podem imaginar o barulho que faziam as carroças a passar puxadas por mulas, burros ou algum cavalo mais velho. Então as rodas não tinham pneumáticos mas sim um aro de ferro que apertava uma engenhosa estrutura de madeira encaixada a partir de uma peça central onde um eixo as ligava.
Este eixo em cada ponta tinha uma grande porca que as mantinha unidas e que com muita frequência se untava com as borras do azeite de modo a diminuir o atrito da rotação. A juntar a este estridente grupo havia ainda dois conjuntos de molas de lâminas de ferro arqueadas que cediam ao peso do que estivesse a ser transportado.
Resultado de anos de observação e valorizado com a abrangência que vai muito para além das tarefas agrícolas ouvia dizer frequentemente e aplicado em diversos ambientes, um adágio que devíamos lembrar com mais frequência quando presenciamos espalhafatosas intervenções. Reza assim: Carroça carregada não faz barulho. Estão a ver, não estão?




Carlos Seixas  (membro da Coordenação Nacional do +D)





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terça-feira, 21 de outubro de 2014

[Opinião +D Direitos?! Ainda os temos?! …

Uma das pérolas da proposta de Orçamento de Estado para 2015 é a impossibilidade que a partir do ano que vem vamos ter, todos nós contribuintes, de recorrer aos tribunais para contestarmos dívidas às Finanças até 5 000 €.

Agora já não podemos usar a Justiça para tentar resolver qualquer dívida fiscal, só aquelas dos 1 250 € para a frente. Mas vai-se subir ainda este valor?!

Numa altura em que a prepotência das Finanças é mais que muita e aumenta vorazmente dia-a-dia, tem o Estado a lata de ainda condicionar mais os direitos dos cidadãos?! Cada vez menos podem, pelo menos, protestar?!

Não está este Governo já “farto” de tomar medidas inconstitucionais? De atacar os mais elementares direitos dos portugueses?!E nós, não estamos já saturados de ver, sentir e calar?!...

Francisco Mendes (Membro da Coordenação Nacional +D)

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

[Opinião +D] Nem tudo no Outono é declinante

Foi particularmente penoso acompanhar as diversas eleições que se realizaram nos últimos meses através dos nossos “media”. No Brasil, a certa altura, até chegou a parecer que a grande questão em debate era o casamento gay e as alegadas contradições da candidata Marina Silva em relação a este assunto menor (quando as suas interessantes declarações a favor da CPLP foram por cá inteiramente ignoradas). Já se sabia que a agenda do Bloco de Esquerda dominava grande parte dos nossos “media” nacionais. Agora, quando o Bloco acentua a sua inexorável desagregação interna, essa agenda parece estender-se à cobertura das eleições internacionais. Houve já um Império (o Bizantino) que se deixou cair enquanto se distraia a discutir o sexo dos anjos. No Brasil, felizmente, esse parece ainda não ser o caso.

Na Escócia, a questão em discussão era bem mais decisiva – nada menos do que a independência –, mas, também aqui, o olhar dos nossos “media” foi bastante enviesado. Alinhou na campanha de medo induzida por Londres e Bruxelas, como se, facto, a Escócia pudesse mesmo ficar “fora da Europa”. Isto quando o argumento deveria ser precisamente o inverso: uma Escócia fora do Reino Unido ficaria muito mais dependente da União Europeia. Mantendo-se como está, isso dá lhe uma muito maior liberdade, tendo em conta o espaço anglófono que se estende por todo o mundo, que o Reino Unido – ao contrário de Portugal, em relação ao espaço lusófono – nunca desprezou. Se fosse escocês, esse seria o meu argumento maior para ter votado não à independência.

Caso bem diferente – também aqui ao contrário do olhar dos nossos “media” – é o da Catalunha. Aqui há uma real singularidade linguística, histórica e cultural que, mais cedo ou mais tarde, levará – estou cada vez mais certo disso – à sua independência política (se não formal, pelo menos substantiva, como em grande medida, conforme se sabe, já acontece). A desastrosa gestão do governo central espanhol tem dado, importa reconhecê-lo, uma grande ajuda para esse desiderato, refugiando-se em argumentos jurídicos que, por mais que formalmente legítimos, são por inteiro contraproducentes nos nossos tempos. Mais cedo ou mais tarde, haverá referendo e a única resposta inteligente daqueles que querem manter a unidade do Estado Espanhol seria fazer um referendo à escala nacional. Assim, pelo menos, invertia-se o jogo e seriam os catalães independentistas a ficar na defensiva. Fica o meu conselho – de borla e a contra-gosto – aos castelhanistas…

No que concerne a Portugal, nada há já a discutir. Os nossos “media” já decidiram que António Costa será o próximo Primeiro-Ministro, com ou sem a bengala do Partido Livre, para o qual já estenderam igualmente a sua passadeira vermelha. Tudo isto, garantem-nos, para conduzir uma política realmente alternativa ao do actual Governo, mas sem, claro está, pôr em causa o que sobre-determina essa mesma política: a nossa inserção na União Europeia e o cumulativo respeito por todos os seus Tratados (desde logo, o Tratado Orçamental). Entretanto, longe do olhar dos nossos “media”, há coisas que acontecem – por exemplo: o movimento +DP (Mais Democracia Participativa) encetou um processo que poderá redundar na sua integração no “Nós, Cidadãos”, assim reforçando este novo partido político que figurará nos boletins de voto das próximas Eleições Legislativas. Nem tudo no Outono é declinante.

Post-Scriptum: “Nova Águia” no Ateneu Comercial do Porto (22 de Outubro, às 21h).



Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
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domingo, 19 de outubro de 2014

[Opinião +D] Uma casa portuguesa

O sonho da grande maioria das pessoas é ter casa própria.
Mas isto não é tarefa fácil, visto que muitos anos de políticas erradas transformaram este sonho num pesadelo.
Para realizar este sonho, de uma maneira geral tem que se recorrer ao crédito bancário. Devido às políticas dos bancos e aos créditos bancários fáceis de há alguns anos atrás, muitos não imaginariam que ao fim de alguns anos não iriam conseguir cumprir esse compromisso. Isto significa que alguns vão ficar sem casa e sem dinheiro.  
Devido a esta situação, atualmente existem muitas famílias em situação desesperante. A alternativa é a de se transformarem em escravos dos bancos até ao fim dos seus dias.
A opção que existe à compra de casa própria é o arrendamento.
No entanto, os que habitam casas antigas com rendas baixas estão condenados a viver em condições cada vez piores, porque as rendas irrisórias que pagam não permitem aos senhorios fazer quaisquer obras de manutenção. As casas vão-se deteriorando o que diminui a qualidade de vida.  
Também há aqueles que vivem em bairros sociais, em prédios sem conservação, visto que as câmaras não têm possibilidades de fazer melhoramentos. As zonas onde eles se integram são complicadas sob o ponto de vista social e são muito inseguras devido à concentração de muitas famílias socialmente desfavorecidas.
Esta situação está a acontecer devido ao acumular de erros sucessivos, como as políticas de congelamento de rendas e aos sistemas de crédito à habitação.
Apesar de tudo, pode haver uma solução, algo tem que ser feito para proteger as pessoas e para evitar que este estado de coisas continue.
Toda a gente tem que ter direito à habitação dentro de condições que a pessoa possa suportar e ter alguma qualidade de vida. 

Carlos Assunção (membro da Coordenação Nacional do +D)


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sábado, 18 de outubro de 2014

[Opinião +D] A polémica continua!

Há mais de um de um mês a minha amiga Margarida Ladeira escreveu neste blog sobre o caos instalado no ensino português. De facto já  vão uns anos largos que o ensino não arranca sem problemas. Mas por que é que isto acontece?
Pior ainda é que, passado um mês, temos relatos da comunicação social de atrasos de colocações de professores, ou então por oposição, colocação de professores em lugares a mais. Falo do caso do professor que foi colocado em mais de sessenta locais diferentes. Penso que cada vez mais Portugal não necessita destes disparates uma vez que há um bom número de licenciados (em Ciências da Educação) suficientes para a sua colocação regular e sem quaisquer necessidades de atraso.
É certo que este ministro já pediu desculpa. Honro-lhe a coragem! Mas pedir desculpa não chega. Há que emendar o erro. E rápido!

Ricardo Trindade Carvalhosa  (membro da Coordenação Nacional do +D)


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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

[Opinião +D] Vão à meta......

Afinal este é o meu país, dos meus filhos e netos que teimam em viver por cá. Tem defeitos, qualidades tudo o que deve ter de bom, mau e assim-assim. Quando olho para além das linhas imaginárias que dividem os países vejo as mesmas ansiedades, os mesmos desejos e os mesmos obstáculos. As dimensões destes estão muitas vezes desproporcionadas e provocam distorções que me revoltam e motivam a tentar mudá-las. Acontecerá com todos nós, digo eu.
Ontem a nossa ministra das finanças, no seguimento da apresentação do Orçamento de Estado para 2015 foi sempre dizendo que o que podia fazer estava limitado por esta meta e aquele outro compromisso se devia a outra meta e se a meta fosse atingida então fazia e acontecia. Foi de meta em meta, tal e qual a cenoura que  se põe à frente do burro preguiçoso e guloso, para que se mexa. Nas corridas, a meta está quantificada, mas aqui é uma entidade que nasceu no princípio da incerteza. Acho, cá para mim, que a melhor meta seria contarmos com outra lógica de gestão pública. Verdade seja dita que nessa altura não sei quem seriam os protagonistas, mas estes, estão na altura de irem à meta......



Carlos Seixas  (membro da Coordenação Nacional do +D)



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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

[Opinião +D] 11 de Outubro: Dia de Ação Europeia contra o TTIP

"No passado sábado pelas 17:00, no Rossio (Lisboa) algumas centenas de cidadãos reuniram-se para cumprirem a sua parte na acção europeia acertada, à escala europeia, para esse dia. Um pouco por toda a Europa, centenas de organizações e movimentos informais de cidadãos reuniram e organizaram-se para informarem as comunidades locais e os seus países sobre o "Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento" (TTIP) e apelaram à subscrição da Iniciativa Cidadã Europeia que pode ser assinada em http://www.nao-ao-ttip.pt/assina-a-iniciativa-de-cidadania-europeia/. No total, em mais de 20 países da União Europeia, vários milhares de cidadãos saíram para a rua procurando divulgar as múltiplas ameaças à Segurança Alimentar, ao Emprego, ao Ambiente, à liberdade na Internet, de desregulação financeira, ao acesso à Saúde dos cidadãos do continente e, sobretudo, as limitações ao mais fundamental exercício da Democracia que são impostas pelos Tribunais Arbitrais previstos no âmbito do TTIP.
Em Lisboa, várias centenas de cidadãos tomaram parte desta acção pública da "Platataforma Não ao TTIP" (www.nao-ao-ttip.pt). Nesta acção, foram igualmente recolhidas muitas assinaturas em papel (além das mais de 500 mil subscritas online, numa semana) e conseguimos passar a mensagem a muitos cidadãos que não conheciam o tema, ou que o conheciam muito mal. Nesta acção, a Plataforma contactou também vários cidadãos europeus de várias nacionalidades, conseguindo assim reforçar também a mensagem junto desses países comunitários.
A "Plataforma Não ao TTIP" (www.nao-ao-ttip.pt), que agrega neste momento cidadãos independentes, várias associações e movimentos sociais cumpriu assim a sua parte nesta acção europeia intitulada "Day of Action on October 11" (http://www.stop-ttip-ceta-tisa.eu/en/actions-2/o11doa/), juntando-se desta forma a mais de duas centenas de organizações europeias, da Sociedade Civil, sindicatos e uniões sindicais e grupos de activistas, desde a Escócia às Ilhas Canárias. (http://www.stop-ttip-ceta-tisa.eu/wp-content/uploads/2014/08/map11octTTIP1.png?0695ac)
Após esta Concentração no Rossio, a A "Plataforma Não ao TTIP" (www.nao-ao-ttip.pt) vai continuar a desenvolver a sua actividade em duas vias paralelas:
1) a via da Informação: divulgando toda a informação sobre o TTIP (ou TAFTA, nos EUA – "Transatlantic Free Trade Agreement"), sobre o CETA ("The Comprehensive Economic Trade Agreement" já em fase final de negociações entre a União Europeia e o Canadá) e o TISA ("The Trade in Services Agreement" que está em fase de negociações entre mais de 50 países do mundo, entre os quais os que estão aqui representados pela União Europeia)
2) a via da pressão sobre as entidades europeias (CE e PE), promovendo e apelando à subscrição da Iniciativa Cidadã em www.nao-ao-ttip.pt/assina-a-iniciativa-de-cidadania-europeia/
Apoie esta acção, subscrevendo a petição online, divulgando-a e informando-se sobre as ameaças que estes tratados internacionais, e sobretudo, o TTIP, representam à vida de todos nós e à estabilidade e desenvolvimento das nossas comunidades. Junte-se a nós e colabore na resistência cidadã a esta grave ameaça às nossas vidas, direitos essenciais e liberdades individuais. 

Rui Martins (membro da Coordenação Nacional do +D)


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terça-feira, 14 de outubro de 2014

[Opinião +D] Ai, tão mal distribuidinha!…

Há muito que ninguém tem dúvida que a riqueza mundial está, como sempre esteve, muito mal distribuída. E que em Portugal a coisa não é muito diferente, também não é novidade.

Mas vejamos alguns números.
8,6% dos habitantes mundiais detêm 85,3% da riqueza em todo o mundo. Ou seja, pondo a coisa ao contrário, 91,4% da população tem só 14,7% do total da riqueza mundial.
Os indivíduos que detêm mais de um milhão de dólares são 35 milhões no total (0,7% da população mundial).
Em Portugal a coisa é um pouco mais branda: os 10% mais ricos detêm entre 50% e 60% da riqueza total. Em situação parecida estão a Austrália, o Canadá, a França, a Itália, a Holanda, a Espanha e o Reino Unido.
A evolução percentual do número dos mais ricos em Portugal sofreu uma queda entre 2000 e 2007 e entre 2007 e 2014 teve um aumento. Se alargarmos o período de análise a fortuna dos 10% mais ricos apresenta-se mais ou menos estável.
Isto a acreditar num estudo do Credit Suisse - "Global Wealth Report 2014", divulgado neste dia 14 de outubro.
Que diferenças irão sempre existir, não temos dúvidas e até talvez tenha a sua lógica e normalidade. Mas era preciso ser tanto?!...


Francisco Mendes (Membro da Coordenação Nacional +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.