domingo, 3 de novembro de 2013

[Opinião +D] Será mesmo em 2014?


Um novo Orçamento de Estado (OE) para 2014, foi aprovado na generalidade, após dois dias de debate parlamentar. Mais uma vez inclui cortes nos salários da Função Pública, agora a partir dos 600 euros e reduz os gastos com pensões. Foi aprovado pela maioria, com os votos a favor do PSD e CDS (claro!) Toda a oposição votou contra: PS, PCP, Bloco de Esquerda e os Verdes mas não só: Rui Barreto, deputado do CDS do círculo da Madeira, também votou contra, à semelhança do que já havia feito em 2013. Bem haja, pela coragem e por mostrar que ainda há na política quem atue de acordo com a sua consciência. Enfrenta um processo disciplinar dentro do CDS por causa do voto contra do ano passado e com este novo chumbo pode arriscar a expulsão do partido. Não o conheço mas passou a merecer a minha admiração.

A proposta de Lei do OE para 2014, bem como as Grandes Opções do Plano irão agora baixar à Comissão de Orçamento e Finanças para ser minuciosamente discutido, com quase todos os ministros do Governo e, eventualmente, podem ser alteradas. Essa discussão começa na próxima semana e a votação final global do OE, depois de discutidas e aprovadas as propostas de alteração, está marcada para 26 de Novembro. Esperemos um “milagre”!!!

O OE foi aprovado, sem surpresas e sem palmas, ao contrário do que é habitual. Paulo Portas fez um discurso onde afirmou:” A partir de junho de 2014, haverá vida para além da Troika". Entretanto, os trabalhos no parlamento tiveram de ser interrompidos e só prosseguiram depois de os seguranças evacuarem as galerias. As pessoas saíam enquanto gritavam palavras de ordem contra o Governo, tais como: "Assassinos!" Antes de Paulo Portas continuar o seu discurso, Assunção Esteves afirmou calmamente: “Este é o vosso Parlamento" e Paulo Portas retomou o discurso, dizendo que acredita "no direito de protesto das pessoas”. Tanta hipocrisia, em tão pouco metro quadrado! Quase podia ser cómico se não fosse trágico.

Sim é verdadeiramente trágica para Portugal esta política que segue, mais uma vez, pelo caminho da austeridade e, mais uma vez , envereda pelo caminho mais fácil, cortar na Função Pública porque todos sabemos que esta “come e cala”. Tal e qual uma esposa maltratada e que já não reage. Do outro lado, as pensões. Corta-se naqueles que já não tem força anímica para reagir. Naqueles que estão cada vez mais sós, cada vez mais frágeis e cada vez mais infelizes e que no fim da sua vida tem agora, muitas vezes, de ajudar  filhos desempregados. No extremo oposto, o Sr. Kröger que defende que os portugueses se devem reformar aos 67 anos, reformou-se aos 61 e continua a trabalhar para a Troika, recebendo por mês cerca de 10.000 euros por mês. Um exemplo a seguir mas não por todos, claro…

Serei só eu ou mais alguém acha que a demagogia dos políticos começa a roçar a demência? "Este OE é o último do programa assinado com a Troika", começou por ressalvar Paulo Portas. "Estamos na reta final de um pesadelo". Qual cenoura à frente de um burro, os nossos políticos acharão realmente que ainda alguém acredita no que eles dizem? Ou que os ouvem sequer? Mas o grande e mais grave problema é que são eles que decidem e os portugueses continuam a aguentar e calar e a tão apregoada Reforma de Estado não passa de uma enormíssima falácia, muito falada mas eternamente adiada…


Margarida Ladeira (Membro da Coordenação Nacional +D)
Este comentário é da exclusiva responsabilidade da sua autora

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