terça-feira, 14 de outubro de 2014

[Opinião +D] Ai, tão mal distribuidinha!…

Há muito que ninguém tem dúvida que a riqueza mundial está, como sempre esteve, muito mal distribuída. E que em Portugal a coisa não é muito diferente, também não é novidade.

Mas vejamos alguns números.
8,6% dos habitantes mundiais detêm 85,3% da riqueza em todo o mundo. Ou seja, pondo a coisa ao contrário, 91,4% da população tem só 14,7% do total da riqueza mundial.
Os indivíduos que detêm mais de um milhão de dólares são 35 milhões no total (0,7% da população mundial).
Em Portugal a coisa é um pouco mais branda: os 10% mais ricos detêm entre 50% e 60% da riqueza total. Em situação parecida estão a Austrália, o Canadá, a França, a Itália, a Holanda, a Espanha e o Reino Unido.
A evolução percentual do número dos mais ricos em Portugal sofreu uma queda entre 2000 e 2007 e entre 2007 e 2014 teve um aumento. Se alargarmos o período de análise a fortuna dos 10% mais ricos apresenta-se mais ou menos estável.
Isto a acreditar num estudo do Credit Suisse - "Global Wealth Report 2014", divulgado neste dia 14 de outubro.
Que diferenças irão sempre existir, não temos dúvidas e até talvez tenha a sua lógica e normalidade. Mas era preciso ser tanto?!...


Francisco Mendes (Membro da Coordenação Nacional +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.  

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

[Opinião +D] NOVA ÁGUIA nº 14: já a voar…

Precisamente oitenta anos após a sua publicação, a Mensagem de Fernando Pessoa continua a ser um texto interpelante para quem insiste em preocupar-se com a destinação histórica de Portugal. Eis o que neste número da NOVA ÁGUIA se comprova. Sob as mais plurais perspectivas – desde as mais esotéricas e espiritualistas até às mais culturalistas e geopolíticas –, a Mensagem foi, sobretudo, um excelso pretexto para repensarmos o futuro de Portugal, mais amplamente, de toda a Comunidade Lusófona, mesmo sabendo que nunca chegará “a hora”. Ainda bem – diremos. 
Sinal de que, ainda e sempre, haverá futuro a construir. 

Porque não há futuro sem passado, articulámos essa plural reflexão em torno da Mensagem com a celebração da própria língua portuguesa – na data, esta menos precisa, dos seus oito séculos. Também aqui, o testamento de D. Afonso II, datado de 27 de Junho de 1214, tido como o primeiro documento redigido em língua portuguesa, foi sobretudo um pretexto para reforçarmos essa consciência histórica – não só dessa nossa língua comum a todos os lusófonos, como, mais ampla e profundamente, do que lhe subjaz: uma singular forma, por mais que plural e polifónica, de ver e viver o mundo. 

Por isso, coligimos também neste número da NOVA ÁGUIA as intervenções dos representantes das várias associações lusófonas da sociedade civil que participaram no II Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela Sphaera Mundi: Museu do Mundo, no âmbito da Plataforma de Associações da Sociedade Civil (PASC), decorrido na Sociedade de Geografia de Lisboa, a 16 de Abril deste ano – onde, justamente, se procurou defender e difundir essa consciência histórica e, partir daí, prefigurar as “prioridades na cooperação lusófona”. Nesta secção, destacamos o Discurso de aceitação do Prémio MIL Personalidade Lusófona 2013, entregue, na mesma sessão, a Ângelo Cristóvão, mais um sinal de que, para nós, a Comunidade Lusófona abarca e abraça a Galiza. 

Como sempre, também neste número da NOVA ÁGUIA houve espaço para outras “Evo(o)cações”: de Frei Manuel do Cenáculo, nos duzentos anos da sua morte, até personalidades da nossa cultura que nos deixaram mais recentemente, como Maria Helena Varela (2004) e, já neste ano, Vasco Graça Moura, passando por outras figuras lusófonas, como Rui de Noronha e Ariano Suassuna, evocados, respectivamente, por António Braz Teixeira e José Almeida. Em “Outros Voos”, destacamos, entre outros, os textos de Adriano Moreira e Manuel Ferreira Patrício, a par das contribuições vindas de Cabo-Verde e do Brasil – de Elter Manuel Carlos e de José Maurício de Carvalho. 

Por fim, para além da “Rubricas” habituais – de Pinharanda Gomes, Eduardo Aroso, Jorge Telles de Menezes, Manuel Gandra e João Bigotte Chorão –, destacamos as já clássicas secções “Bibliáguio” e “Poemáguio”, e, de modo particular, em “Extravoo”, a Partitura Musical de um Poema da Mensagem (“Mar Portuguez”) que nos foi oferecida por Manuel Ferreira Patrício, tudo isto sem esquecer a referência à Colecção NOVA ÁGUIA, onde, até ao final do presente ano, se publicarão mais alguns títulos. 
Na calha está já igualmente o décimo quinto número da revista, que terá como tema maior “Os 100 anos do Orpheu” e onde, entre muitos outros textos, publicaremos as comunicações proferidas na I Conferência Cabo-Verdiana “Filosofia, Literatura e Educação”, promovida pelo MIL na Universidade de Cabo Verde, a 18 e 19 de Outubro de 2013, em parceria com esta Universidade e com o Instituto Camões.



Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

[Opinião +D] Despesa exagerada do Estado

Há uns dias atrás o Ex-Ministro Ferreira do Amaral deu uma entrevista para a RTP, onde mencionou alguns dos gastos excessivos da Administração Pública, como por exemplo o Governo, Câmaras Municipais e algumas Empresas Públicas.
Um dos exemplos que ele referiu foi a excessiva frota automóvel que certas câmaras e ministérios têm. Além da exagerada frota, também falou de certas fraudes que acontecem com os motores dos carros, que ao fim de seis meses são trocados por outros. Como todos sabemos os carros das câmaras e ministérios são carros de topo de gama, cujos motores não se avariam assim tão facilmente, o que nos leva a pensar que há muita gente a ganhar dinheiro com estas “trocas”.
Outra situação por ele abordada, tem a ver com as viagens ao estrangeiro feitas por funcionários públicos, ministros, secretários de estado, etc., nas quais usavam cartões de crédito com os quais podiam fazer compras para a família e amigos, pagos por nós contribuintes. Nestas viagens participava um número exagerado de pessoas, muito para além do necessário. Essas pessoas que não eram necessárias e só iam mesmo passar umas férias e fazer umas compras com o dinheiro dos contribuintes.
Estes casos são uma vergonha para a política nacional. 
Numa altura em que se vive uma grave crise económica e que grande parte da população nacional está desempregada e a viver no limiar da pobreza, estes dados são completamente chocantes.
Quando se fala em cortar despesas, era aqui que se devia começar a cortar. 
Não era suficiente eu sei, mas dava uma grande ajuda. Em vez de se estar sempre a cortar a reforma dos idosos, o ordenado dos mais pobres, tem que se cortar é as regalias.
Isto também acontece por causa da falta de informação e também por falta de interesse da parte das pessoas em relação a estes assuntos. Porque se o povo procurasse estar mais a par dos assuntos do País e se unisse e lutasse contra estas coisas, de certeza que isto não acontecia. 
Carlos Assunção (membro da Coordenação Nacional do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina. 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

[Opinião +D] Sem espinhas...

Assistindo aos desmandos que se passam no setor da saúde e da educação, para não falar na falta de honestidade política, em reconhecer que o esforço pedido aos mais vulneráveis nem belisca as gorduras que a máquina do Estado esbanja prodigamente nas dispensas repletas de famílias e corporações sobejamente referenciadas, fica-me a pergunta que há muito faço e que me ajuda a ir tomando decisões de navegação, neste mar tormentoso. A pergunta é sempre se a minha espinha se deve encolher, dobrar e torcer perante os obstáculos. Por uma questão de elasticidade  procuro ter movimentos suaves que a não danifiquem e não deixem sequelas que a marquem para sempre. Quando olho em volta vejo mesmo é muita falta de espinha dorsal de boa saúde. Não julguem que só quem nos/se governa tem esta tendência. Com a falta de trabalho este é um mal generalizado, convencidos que estão, que contorcionando-se, asseguram bastos rendimentos. Como é bem verdade que o asseio no mundo começa à nossa porta, exigo que se demitam os responsáveis pelo caos na Justiça e na Educação mas queria o mesmo caminho para todos os outros que sem espinha dorsal se contorcem das 9 às 5 da tarde perpetuando esse ondular oportunista.



Carlos Seixas  (membro da Coordenação Nacional do +D)



Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

[Opinião +D] 15 de Outubro, 4º aniversário do MIL: Movimento Internacional Lusófono

Assinala-se, no dia 15 de Outubro, o quarto aniversário do MIL: Movimento Internacional Lusófono sobre a sua constituição jurídica, e, como em acontecido nos anos anteriores, o “programa das festas”, a decorrer na nossa sede (no Palácio da Independência, em Lisboa), promete. 

Tudo começará por volta das 16h com uma Assembleia Geral, onde, conforme a ordem de trabalhos oportunamente publicitada, se procederá à eleição dos novos Órgãos Sociais do MIL (2014-2016), bem como de novos Membros para o nosso Conselho Consultivo (com uma centena de membros, de todos os países e regiões do espaço lusófono) e de novos Sócios Honorários; e,  por fim, à ratificação do estatuto de Sócio Fundador do MIL na PASC: Plataforma de Associações da Sociedade Civil-Casa da Cidadania. 

Depois, por volta das 17h, procederemos à apresentação do décimo quarto número da revista que, semestre após semestre, o MIL tem promovido desde 2008: a NOVA ÁGUIA. Destacamos, neste número, os oitenta anos da publicação da Mensagem, os oito séculos da Língua Portuguesa, bem como as intervenções dos representantes das várias associações lusófonas da sociedade civil que participaram no II Congresso da Cidadania Lusófona, decorrido na Sociedade de Geografia de Lisboa, a 16 de Abril deste ano.
Não só, porém, do décimo quarto número da revista NOVA ÁGUIA se falará nessa sessão a decorrer no Salão Nobre do Palácio da Independência. Para além desta, apresentar-se-á uma obra poética de José Augusto de Pinho Neno, sugestivamente intitulada “Acorda, Portugal”. Maria Dovigo, coordenadora do MIL_Galiza, apresentará ainda os mais recentes títulos da Colecção “Clássicos da Galiza”, editados pela Academia Galega de Língua Portuguesa. Por fim, Armando Jorge Silva, do MIL_Brasil, apresentará o Festival da Cultura Lusófona, que decorrerá simultaneamente em vários locais do mundo no dia 6 de Dezembro e que congrega uma série de outras entidades. 

Como igualmente tem acontecido nos anos anteriores, o dia terminará com um jantar de confraternização. Fica aqui o convite, para todos aqueles que se queiram juntar à causa que, no século XXI, mais e melhor garante o futuro de Portugal e de todos os restantes países e regiões do espaço de língua portuguesa: a causa lusófona. Como já foi mil vezes dito, importa por isso reforçar os laços com os restantes países e regiões do espaço lusófono, no plano cultural, desde logo, mas também nos planos social, económico e político. No século XXI, neste mundo cada vez mais globalizado, essa será a nossa maior e melhor garantia de futuro.






Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

sábado, 4 de outubro de 2014

[Opinião +D] Escravatura moderna – Estágios não remunerados

Cada vez mais não entendo do que serve ter estudos superiores quando o máximo que se consegue para trabalhar são estágios não remunerados (ou parcialmente remunerados) para se adquirir experiência e nenhuma remuneração, pois sabemos que só pagar transportes e alimentação é no fundo trabalhar “de borla”, enquanto os patrões enchem os bolsos. Esta é a realidade de muitos dos meus colegas que vivem às custas dos pais e trabalham três ou quatro meses sem salário para nunca serem admitidos nas empresas onde estagiaram.
Mas essa era a promessa inicial, a de terem um local de trabalho e de virem a ter o seu próprio sustento depois do estágio correr bem.
Essa ideia cada vez mais se desvanece e cada vez mais se aproxima uma ideia de escravatura moderna e “tolerada” pela sociedade. “Afinal estão a ganhar experiência”, dizem!
Mas será que sou o único a pensar que mesmo a adquirir experiência o trabalho exercido tem que ser remunerado e com contrato de trabalho?

Ricardo Trindade Carvalhosa  (membro da Coordenação Nacional do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

[Opinião +D] Justiça Social

Esta semana foi publicado um estudo sobre justiça social na União Europeia realizado pela fundação alemã Bertelsmann. Esse estudo mostra que a justiça social em Portugal desde 2011 tem vindo a descer e que ocupamos uma das piores posições na União Europeia. Mas como é se se mede o grau de justiça social? É através da pobreza, acesso ao mercado de trabalho, cuidados de saúde, entre outros.A capacidade que um país tem para prevenir a pobreza também é um fator que pesa para este estudo.
Portugal está entre os dez países da União Europeia (UE) com menos justiça social, ocupando a 20ª posição no ranking dos 28 Estados-membros, no qual a Suécia aparece em primeiro lugar e a Grécia em último.
O que os dados mostram em relação a Portugal é que a nossa posição no índice de justiça social subiu entre 2008 e 2011 (de 5,11 para 5,15). Só que desde 2011 o nível tem vindo a descer, registando em 2014 um valor mais baixo (5,03) do que em 2008 - ano em que a fundação alemã foi criada e calculou pela primeira vez este índice. Pior do que Portugal estão Roménia, Bulgária, Hungria, Letónia ou Itália, além da Grécia. No extremo oposto, o estudo coloca Suécia, Finlândia, Dinamarca e Holanda. 
Esta situação agravou-se devido às políticas de austeridade implementadas no decurso da crise, assim como as reformas estruturais aplicadas no sentido da estabilização económica e orçamental.
Apesar de se verificarem alguns sinais de recuperação económica, sabemos que a austeridade teve um impacto negativo nos sistemas de segurança social e em áreas como a educação ou a investigação, devido aos cortes.
É na justiça entre gerações que Portugal fica pior posicionado. O que está em causa é haver ou não uma distribuição justa de recursos entre as gerações atuais e futuras.
Outra conclusão do estudo é que a injustiça social na UE tem tido efeitos mais graves sobre as crianças e jovens. Em Portugal, os números confirmam-no. A proporção de crianças e adolescentes (até aos 17 anos) em risco de pobreza aumentou de 26,9% em 2008 para 27,8% em 2014, ocupando agora o 15º pior lugar do ranking dos 28 países.
O risco de pobreza em geral também aumentou, assim como a proporção de pessoas a viver em privação material severa (de 9,6% em 2008 para 10,9% em 2014).
Quando se fala em mercado de trabalho, a seguir à Grécia foi em Portugal que a situação mais se agravou entre 2011 e 2014, embora haja seis países a ocuparem posições mais graves. Portugal é o quinto país com maior taxa de desemprego a longo prazo e sexto com mais desemprego jovem - indicadores onde a Espanha e a Grécia ocupam os dois piores lugares.
Em geral, o estudo conclui que aumentou significativamente a diferença entre os países mais ricos do norte da Europa e os países do sul que foram mais atingidos pela crise.
As conclusões deste estudo, são assustadoras e preocupantes. Portugal e EU têm que ter atenção a esta situação e não se preocuparem só com a consolidação orçamental, mas também com a injustiça social. Temos que combater este problema!

Carlos Assunção (membro da Coordenação Nacional do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.