segunda-feira, 29 de julho de 2013

[Opinião +D] A respeito da Jornada Mundial da Juventude

Contrariando mil e uma previsões feitas, as religiões continuam a mobilizar muita gente, como recentemente se viu na Jornada Mundial da Juventude promovida pela Igreja Católica no Rio de Janeiro.

Não me vou pronunciar aqui, nietzscheanamente, sobre a “verdade intrínseca” das religiões em geral ou da religião católica em particular. Nem sequer sobre a figura do novo Papa “Francisco”. Isso não é aqui o mais importante.


Pretendo apenas salientar que, para muita gente, o horizonte da existência quotidiana continua a não ser suficiente. E, por isso, sentem a necessidade de se porem ao serviço de ideais maiores. Independentemente do caminho que escolham, esse impulso é, em si próprio, positivo, a meu ver. E, face à aparente falência das grandes utopias políticas, é até compreensível que muitos continuem a apostar no caminho religioso.






Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)


Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

domingo, 28 de julho de 2013

[Opinião +D] As crises da crise

Há uns dias ouvi uma entrevista feita a um candidato a uma autarquia, onde alguém afirmou que hoje se vive uma crise de valores. Há algum tempo que penso nisto, será que vivemos, realmente, uma época em que há uma crise de valores? Ou em períodos de crise, os valores são sempre, mais facilmente, postos à prova?

Recordei-me do romance de Victor Hugo, Os Miseráveis, um clássico de cinco volumes, publicado em 1862. Toda a gente conhece a história que se desenrola na França do século XIX, entre a Batalha de Waterloo (1815) e os motins de junho de 1832. Um retrato de época que testemunha a miséria e a pobreza em que, a maioria da população, vivia no final desse século. Um indigente, Jean Valjean, rouba um pão para se alimentar, a si e à sua família. Condenado à prisão até à morte não desiste nunca de lutar pela liberdade. Quem lê esta obra nunca condena Valjean. A noção de bem e mal que existe em cada um de nós não o permite.

É verdade que em épocas de crise financeiras e/ou económicas, outras crises tendem a surgir ou a agravar-se. Atualmente, com uma austeridade que tende a tornar-se crónica, com taxas absurdas de desemprego, com uma população cada vez mais desesperançada e, tendencialmente, deprimida, é impossível que não surjam sentimentos de medo em relação ao futuro. A emigração separa famílias e quebra laços outra hora estáveis. A insegurança aumenta. Roubos, agressões, atos ilícitos, burlas, etc tornam-se a saída mais fácil e apelativa para quem desespera lentamente e em silêncio.

Depois há os outros. Os que até agora viviam relativamente bem. Ocupavam cargos que lhes traziam rendimentos, regalias e privilégios e, muitas vezes, estes deixam-se “encantar” pelo poder. Querem mais e mais e deixam-se levar porque em simultâneo sentem um medo quase irracional de perder tudo isso. Muitas vezes são aqueles que deviam servir de exemplo, aqueles que deviam ser os primeiros a dizer não. E quando se sabe, quando se comenta em todos os jornais, rádios e televisões em vez de se demitirem e se dedicarem a provar a sua inocência, não o fazem e continuam a candidatar-se a cargos públicos e a quer mais do mesmo.

Sim, há uma crise de valores mas é bem mais profunda. Vem de trás e precisava de ser combatida por todos nós. Devíamos tornar-nos mais exigentes, mais críticos e até mais fiscalizadores com quem nos governa. Deviam ser penalizados e punidos porque afinal não roubaram um pão e não queriam apenas e tão só alimentar-se a si e à sua família.




Margarida Ladeira (Membro da Coordenação Nacional +D)
Este comentário é da exclusiva responsabilidade da sua autora

[Opinião+D] Até quando…

Está aí a privatização dos CTT!

Interessados aguardam-se e a intenção é mesmo vender a totalidade da empresa. Fazê-lo a um ou a mais compradores, isso pouco interessa…. É preciso é facturar e quanto mais depressa melhor.

E tem de ser assim… Não se esqueçam que o Estado precisa de ganhar dinheiro para sustentar os buracos dos antigos donos do BPN e as necessidades dos novos, as PPP e ainda muitos outros que, coitados, precisam 
muito da ajuda de todos nós para engordarem as suas fortunas.

E era por isto, aliás como todos já sabíamos, que se quis e em grande parte se conseguiu, ir fechando estações de correios pelo país fora, em locais em que este serviço público era essencial mas em que os números ditavam que prejudicaria esta privatização.

E se nalguns (poucos) casos as populações conseguiram que o fecho pretendido não se efectivasse, isso só significou um rebuçado que se derrete depressa na boca sem deixar sabor porque é óbvio que os novos donos não vão querer saber para nada da decisão dos “sensíveis” governantes que recuaram no fecho!

E depois destas e de muitas outras que nos vão sendo apresentadas como decisões indispensáveis e inadiáveis porque não há dinheiro, continuamos ainda muito parados à espera do que mais nos irá acontecer! Até um dia… 







Francisco Mendes (Membro da Coordenação Nacional +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

[Opinião +D] As tribos

Recentemente António Barreto referiu em entrevista, o desinteresse dos portugueses pela política. Considerou a desconfiança generalizada nos partidos políticos bem como a desvalorização do trabalho destes. Disse que estes funcionam como “tribos” tal como os clubes de futebol. Analisando a situação atual não hesitaremos em considerar a justeza destas considerações. Senão vejamos: a definição mais generalista de tribo surge como: agrupamentos das sociedades humanas que, vivendo de forma comunitária, partilham entre si pensamento analógico, hábitos comuns, rituais próprios, códigos de conduta que os diferenciam dos demais. Segundo Maffesoli (1985), as tribos tem semelhanças e complementam-se, num procedimento de homocentricidade e da exclusão do que é diferente. Tem como característica a nitidez de orientação, homogeneidade, relações face a face… entre outros. Mas se a tribo revela coesão interna que potencializa as suas ações, o que pode considerar-se uma virtualidade devido ao peso excessivo da globalização,  já no que concerne ao exterior, aos outros grupos e à sociedade em geral, as tribos conduzem ao controlo social, ao conflito, ao confronto. Falhando no valor indiscutível da dissonância, arregimentam, controlam, limitam. Mais grave: geram a intolerância, a uniformização, o conflito e tantas vezes a violência. No conflito, o primeiro impulso dos oponentes é o de procurar destruir o adversário. Neste caso, a sua ação é inoperante, de rutura, de discricionariedade e, tantas vezes, de guerra. Procuram neutralizar/aniquilar, deste modo, a participação dos demais. O que acontece, na atual conjuntura, em que os movimentos sociais independentes pretendem exercer a cidadania, são bem a prova de que as tribos exercem o poder de controlo social e pretensamente de aniquilação da diferença. Impedem o progresso. As tribos são afinal isso.





Conceição Couvaneiro (Conselho Geral do +D)

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[Opinião +D] Cheira a Poder

Cheira a Poder, quando longos, verborreicos e inflamados críticos do Socretismo e Segurismo (se é que isso existe) e outros defensores do "PS verdadeiro" aparecem agora ao lado de putativos candidatos presidenciais, quando recebem financiamentos diretos ou indiretos de autarquias PS ou quando começam a declamar loas à forma como Seguro geriu as negociações com o PSD. 
Cheira a Poder, quando esses críticos, subitamente se silenciam ou desaparecem de todos os meios onde antes proferiam as suas declamações. 
Cheira a Poder. 
Cheira a Poder e a Tachos.

PS: não sou anti-partidos. Sou anti-estes-partidos, fechados, desmemoriados, hierárquicos e aparelhísticos. Sou pró-partidos, participativos, nivelados, consensuais e dialogantes para dentro e para fora. O problema é não temos partidos assim. Mas precisamos de ter e de começar a fazer algo neste sentido.




Rui Martins (membro da Coordenação Nacional do +D)

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quarta-feira, 24 de julho de 2013

[Opinião +D] A Constatação negativa.

Em todas as épocas, nas diversas civilizações, nos países e zonas mais distintas, raramente o poder superior e decisivo foi exercido por intelectuais, artistas ou homens de negócios enquanto tais, são de facto mais frequentes presenças de religiosos, políticos e militares, podemos confirmar que a política vem governando os povos e ocupando o topo da hierarquia social.

A constatação desta realidade histórica vem provar que a vontade de poder político se superioriza à dos outros tipos puros, ou então que a estrutura de quase todas as sociedades implica, necessariamente, a supremacia daquele poder, ou finalmente que os outros tipos humanos rejeitam a procura daquela forma de poder. E neste último caso, ou porque não a consideram adaptada a si, ou porque não são felizes exercendo-a, ou porque sentem que os benefícios que dela poderiam extrair acabam por não compensar os sacrifícios que comportam.

O preço pago pelo usufruto do poder político será excessivo? A sua falta de conteúdo ético e material, o seu carácter eminentemente energético, assente numa fenomenologia psicológica de ordem emotiva, oferece o género de compensações que não satisfazem quer muitos dos que preferem obedecer, quer ainda aqueles que escolhem um tipo de existência liberta das pressões psíquicas e sociais que a vida política implica obrigatoriamente. Esta dialéctica do senhor e do escravo é uma das mais espantosas e dramáticas e realidades históricas, tendo adquirido na nossa época uma comprovação insofismável.

Chegamos, por fim, aos porquês, com dois casos que aparentemente têm o mesmo resultado final, a admissão de Vítor Gaspar e Paulo Portas do governo. Há que distinguir o poder real e a perspetiva de uma vida honesta, com o poder virtual numa análise futura enquadrada num alto cargo de favor em empresas com subsistência publica ou muito perto disso, é satisfação da fácil riqueza pelo “sacrifício” do poder político e das suas compensações.

A constatação negativa destaca Vítor Gaspar como uma personalidade com ética e de princípios, e Paulo Portas como um oportunista longe de ter princípios de ética e de honestidade entregue às delícias do poder presente e futuro meramente honorifico. A prova de que assim é já está gravado para memória futura.






Fernando Faria (membro da Coordenação Nacional do +D)

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segunda-feira, 22 de julho de 2013

[Opinião +D] Chegou o tempo de pôr fim à farsa

À vista mais curta, todos tiveram a sua vitoriazinha. Cavaco Silva, por via de mais um dos seus famosos “tabus”, conseguiu de novo ser o centro das atenções durante uma semana e pôde mesmo dizer: “pelo menos, tentei”. Pedro Passos Coelho recebeu a “garantia presidencial” de levar o seu mandato até ao fim. Paulo Portas conseguiu finalmente chegar a Vice-Primeiro-Ministro com amplos poderes. António José Seguro pacificou uma vez mais o seu partido.

 Não chegou, porém, sequer a ser uma vitória de Pirro. Na verdade, todos perderam. E muito. Cavaco Silva expôs uma vez mais a sua fragilidade – um Presidente forte teria conseguido impor um Compromisso de Salvação Nacional. O mesmo se diga de Pedro Passos Coelho – que não consegue controlar, de todo, os seus ministros. E de Paulo Portas – irrevogavelmente ferido na sua credibilidade, agora até no interior do seu partido, que o forçou a recuar. E de António José Seguro – as pressões de que foi publicamente alvo, e às quais sucumbiu, provam bem a sua insegurança. Seguro provou, uma vez mais, que não é, seguramente, a solução.

Na dita “esquerda”, os partidos que temos demonstraram, uma vez mais, a sua irrelevância. A encenada tentativa de convergência durou apenas umas horas antes de se desvanecer. Mas, como a memória é curta, em breve, decerto, subirá de novo ao palco. Até ao dia em que já não houver ninguém na plateia para assistir, pela enésima vez, à mesma farsa de sempre. O que estará para muito breve – nas próximas eleições, ou aparece algo de verdadeiramente novo, ou então só nos resta o voto branco ou nulo. Chegou o tempo de pôr fim à farsa.







Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)


Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.