quinta-feira, 23 de outubro de 2014

[Opinião +D Tanto barulho por nada

Em miúdo a minha rua era forrada de pedra rolada e podem imaginar o barulho que faziam as carroças a passar puxadas por mulas, burros ou algum cavalo mais velho. Então as rodas não tinham pneumáticos mas sim um aro de ferro que apertava uma engenhosa estrutura de madeira encaixada a partir de uma peça central onde um eixo as ligava.
Este eixo em cada ponta tinha uma grande porca que as mantinha unidas e que com muita frequência se untava com as borras do azeite de modo a diminuir o atrito da rotação. A juntar a este estridente grupo havia ainda dois conjuntos de molas de lâminas de ferro arqueadas que cediam ao peso do que estivesse a ser transportado.
Resultado de anos de observação e valorizado com a abrangência que vai muito para além das tarefas agrícolas ouvia dizer frequentemente e aplicado em diversos ambientes, um adágio que devíamos lembrar com mais frequência quando presenciamos espalhafatosas intervenções. Reza assim: Carroça carregada não faz barulho. Estão a ver, não estão?




Carlos Seixas  (membro da Coordenação Nacional do +D)





Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

[Opinião +D Direitos?! Ainda os temos?! …

Uma das pérolas da proposta de Orçamento de Estado para 2015 é a impossibilidade que a partir do ano que vem vamos ter, todos nós contribuintes, de recorrer aos tribunais para contestarmos dívidas às Finanças até 5 000 €.

Agora já não podemos usar a Justiça para tentar resolver qualquer dívida fiscal, só aquelas dos 1 250 € para a frente. Mas vai-se subir ainda este valor?!

Numa altura em que a prepotência das Finanças é mais que muita e aumenta vorazmente dia-a-dia, tem o Estado a lata de ainda condicionar mais os direitos dos cidadãos?! Cada vez menos podem, pelo menos, protestar?!

Não está este Governo já “farto” de tomar medidas inconstitucionais? De atacar os mais elementares direitos dos portugueses?!E nós, não estamos já saturados de ver, sentir e calar?!...

Francisco Mendes (Membro da Coordenação Nacional +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.  

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

[Opinião +D] Nem tudo no Outono é declinante

Foi particularmente penoso acompanhar as diversas eleições que se realizaram nos últimos meses através dos nossos “media”. No Brasil, a certa altura, até chegou a parecer que a grande questão em debate era o casamento gay e as alegadas contradições da candidata Marina Silva em relação a este assunto menor (quando as suas interessantes declarações a favor da CPLP foram por cá inteiramente ignoradas). Já se sabia que a agenda do Bloco de Esquerda dominava grande parte dos nossos “media” nacionais. Agora, quando o Bloco acentua a sua inexorável desagregação interna, essa agenda parece estender-se à cobertura das eleições internacionais. Houve já um Império (o Bizantino) que se deixou cair enquanto se distraia a discutir o sexo dos anjos. No Brasil, felizmente, esse parece ainda não ser o caso.

Na Escócia, a questão em discussão era bem mais decisiva – nada menos do que a independência –, mas, também aqui, o olhar dos nossos “media” foi bastante enviesado. Alinhou na campanha de medo induzida por Londres e Bruxelas, como se, facto, a Escócia pudesse mesmo ficar “fora da Europa”. Isto quando o argumento deveria ser precisamente o inverso: uma Escócia fora do Reino Unido ficaria muito mais dependente da União Europeia. Mantendo-se como está, isso dá lhe uma muito maior liberdade, tendo em conta o espaço anglófono que se estende por todo o mundo, que o Reino Unido – ao contrário de Portugal, em relação ao espaço lusófono – nunca desprezou. Se fosse escocês, esse seria o meu argumento maior para ter votado não à independência.

Caso bem diferente – também aqui ao contrário do olhar dos nossos “media” – é o da Catalunha. Aqui há uma real singularidade linguística, histórica e cultural que, mais cedo ou mais tarde, levará – estou cada vez mais certo disso – à sua independência política (se não formal, pelo menos substantiva, como em grande medida, conforme se sabe, já acontece). A desastrosa gestão do governo central espanhol tem dado, importa reconhecê-lo, uma grande ajuda para esse desiderato, refugiando-se em argumentos jurídicos que, por mais que formalmente legítimos, são por inteiro contraproducentes nos nossos tempos. Mais cedo ou mais tarde, haverá referendo e a única resposta inteligente daqueles que querem manter a unidade do Estado Espanhol seria fazer um referendo à escala nacional. Assim, pelo menos, invertia-se o jogo e seriam os catalães independentistas a ficar na defensiva. Fica o meu conselho – de borla e a contra-gosto – aos castelhanistas…

No que concerne a Portugal, nada há já a discutir. Os nossos “media” já decidiram que António Costa será o próximo Primeiro-Ministro, com ou sem a bengala do Partido Livre, para o qual já estenderam igualmente a sua passadeira vermelha. Tudo isto, garantem-nos, para conduzir uma política realmente alternativa ao do actual Governo, mas sem, claro está, pôr em causa o que sobre-determina essa mesma política: a nossa inserção na União Europeia e o cumulativo respeito por todos os seus Tratados (desde logo, o Tratado Orçamental). Entretanto, longe do olhar dos nossos “media”, há coisas que acontecem – por exemplo: o movimento +DP (Mais Democracia Participativa) encetou um processo que poderá redundar na sua integração no “Nós, Cidadãos”, assim reforçando este novo partido político que figurará nos boletins de voto das próximas Eleições Legislativas. Nem tudo no Outono é declinante.

Post-Scriptum: “Nova Águia” no Ateneu Comercial do Porto (22 de Outubro, às 21h).



Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

domingo, 19 de outubro de 2014

[Opinião +D] Uma casa portuguesa

O sonho da grande maioria das pessoas é ter casa própria.
Mas isto não é tarefa fácil, visto que muitos anos de políticas erradas transformaram este sonho num pesadelo.
Para realizar este sonho, de uma maneira geral tem que se recorrer ao crédito bancário. Devido às políticas dos bancos e aos créditos bancários fáceis de há alguns anos atrás, muitos não imaginariam que ao fim de alguns anos não iriam conseguir cumprir esse compromisso. Isto significa que alguns vão ficar sem casa e sem dinheiro.  
Devido a esta situação, atualmente existem muitas famílias em situação desesperante. A alternativa é a de se transformarem em escravos dos bancos até ao fim dos seus dias.
A opção que existe à compra de casa própria é o arrendamento.
No entanto, os que habitam casas antigas com rendas baixas estão condenados a viver em condições cada vez piores, porque as rendas irrisórias que pagam não permitem aos senhorios fazer quaisquer obras de manutenção. As casas vão-se deteriorando o que diminui a qualidade de vida.  
Também há aqueles que vivem em bairros sociais, em prédios sem conservação, visto que as câmaras não têm possibilidades de fazer melhoramentos. As zonas onde eles se integram são complicadas sob o ponto de vista social e são muito inseguras devido à concentração de muitas famílias socialmente desfavorecidas.
Esta situação está a acontecer devido ao acumular de erros sucessivos, como as políticas de congelamento de rendas e aos sistemas de crédito à habitação.
Apesar de tudo, pode haver uma solução, algo tem que ser feito para proteger as pessoas e para evitar que este estado de coisas continue.
Toda a gente tem que ter direito à habitação dentro de condições que a pessoa possa suportar e ter alguma qualidade de vida. 

Carlos Assunção (membro da Coordenação Nacional do +D)


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sábado, 18 de outubro de 2014

[Opinião +D] A polémica continua!

Há mais de um de um mês a minha amiga Margarida Ladeira escreveu neste blog sobre o caos instalado no ensino português. De facto já  vão uns anos largos que o ensino não arranca sem problemas. Mas por que é que isto acontece?
Pior ainda é que, passado um mês, temos relatos da comunicação social de atrasos de colocações de professores, ou então por oposição, colocação de professores em lugares a mais. Falo do caso do professor que foi colocado em mais de sessenta locais diferentes. Penso que cada vez mais Portugal não necessita destes disparates uma vez que há um bom número de licenciados (em Ciências da Educação) suficientes para a sua colocação regular e sem quaisquer necessidades de atraso.
É certo que este ministro já pediu desculpa. Honro-lhe a coragem! Mas pedir desculpa não chega. Há que emendar o erro. E rápido!

Ricardo Trindade Carvalhosa  (membro da Coordenação Nacional do +D)


Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

[Opinião +D] Vão à meta......

Afinal este é o meu país, dos meus filhos e netos que teimam em viver por cá. Tem defeitos, qualidades tudo o que deve ter de bom, mau e assim-assim. Quando olho para além das linhas imaginárias que dividem os países vejo as mesmas ansiedades, os mesmos desejos e os mesmos obstáculos. As dimensões destes estão muitas vezes desproporcionadas e provocam distorções que me revoltam e motivam a tentar mudá-las. Acontecerá com todos nós, digo eu.
Ontem a nossa ministra das finanças, no seguimento da apresentação do Orçamento de Estado para 2015 foi sempre dizendo que o que podia fazer estava limitado por esta meta e aquele outro compromisso se devia a outra meta e se a meta fosse atingida então fazia e acontecia. Foi de meta em meta, tal e qual a cenoura que  se põe à frente do burro preguiçoso e guloso, para que se mexa. Nas corridas, a meta está quantificada, mas aqui é uma entidade que nasceu no princípio da incerteza. Acho, cá para mim, que a melhor meta seria contarmos com outra lógica de gestão pública. Verdade seja dita que nessa altura não sei quem seriam os protagonistas, mas estes, estão na altura de irem à meta......



Carlos Seixas  (membro da Coordenação Nacional do +D)



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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

[Opinião +D] 11 de Outubro: Dia de Ação Europeia contra o TTIP

"No passado sábado pelas 17:00, no Rossio (Lisboa) algumas centenas de cidadãos reuniram-se para cumprirem a sua parte na acção europeia acertada, à escala europeia, para esse dia. Um pouco por toda a Europa, centenas de organizações e movimentos informais de cidadãos reuniram e organizaram-se para informarem as comunidades locais e os seus países sobre o "Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento" (TTIP) e apelaram à subscrição da Iniciativa Cidadã Europeia que pode ser assinada em http://www.nao-ao-ttip.pt/assina-a-iniciativa-de-cidadania-europeia/. No total, em mais de 20 países da União Europeia, vários milhares de cidadãos saíram para a rua procurando divulgar as múltiplas ameaças à Segurança Alimentar, ao Emprego, ao Ambiente, à liberdade na Internet, de desregulação financeira, ao acesso à Saúde dos cidadãos do continente e, sobretudo, as limitações ao mais fundamental exercício da Democracia que são impostas pelos Tribunais Arbitrais previstos no âmbito do TTIP.
Em Lisboa, várias centenas de cidadãos tomaram parte desta acção pública da "Platataforma Não ao TTIP" (www.nao-ao-ttip.pt). Nesta acção, foram igualmente recolhidas muitas assinaturas em papel (além das mais de 500 mil subscritas online, numa semana) e conseguimos passar a mensagem a muitos cidadãos que não conheciam o tema, ou que o conheciam muito mal. Nesta acção, a Plataforma contactou também vários cidadãos europeus de várias nacionalidades, conseguindo assim reforçar também a mensagem junto desses países comunitários.
A "Plataforma Não ao TTIP" (www.nao-ao-ttip.pt), que agrega neste momento cidadãos independentes, várias associações e movimentos sociais cumpriu assim a sua parte nesta acção europeia intitulada "Day of Action on October 11" (http://www.stop-ttip-ceta-tisa.eu/en/actions-2/o11doa/), juntando-se desta forma a mais de duas centenas de organizações europeias, da Sociedade Civil, sindicatos e uniões sindicais e grupos de activistas, desde a Escócia às Ilhas Canárias. (http://www.stop-ttip-ceta-tisa.eu/wp-content/uploads/2014/08/map11octTTIP1.png?0695ac)
Após esta Concentração no Rossio, a A "Plataforma Não ao TTIP" (www.nao-ao-ttip.pt) vai continuar a desenvolver a sua actividade em duas vias paralelas:
1) a via da Informação: divulgando toda a informação sobre o TTIP (ou TAFTA, nos EUA – "Transatlantic Free Trade Agreement"), sobre o CETA ("The Comprehensive Economic Trade Agreement" já em fase final de negociações entre a União Europeia e o Canadá) e o TISA ("The Trade in Services Agreement" que está em fase de negociações entre mais de 50 países do mundo, entre os quais os que estão aqui representados pela União Europeia)
2) a via da pressão sobre as entidades europeias (CE e PE), promovendo e apelando à subscrição da Iniciativa Cidadã em www.nao-ao-ttip.pt/assina-a-iniciativa-de-cidadania-europeia/
Apoie esta acção, subscrevendo a petição online, divulgando-a e informando-se sobre as ameaças que estes tratados internacionais, e sobretudo, o TTIP, representam à vida de todos nós e à estabilidade e desenvolvimento das nossas comunidades. Junte-se a nós e colabore na resistência cidadã a esta grave ameaça às nossas vidas, direitos essenciais e liberdades individuais. 

Rui Martins (membro da Coordenação Nacional do +D)


Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.