sábado, 19 de abril de 2014

[Opinião +D]

Dizem que os nórdicos são mais civilizados que nós. Isso é verdade, mas se formos viver nestes países, ao fim de umas semanas já estamos a viver como eles. Então porque não fazemos o mesmo no nosso país? Será muito complicado quando se leva o cão à rua apanhar o cocó e colocar o lixo na hora estipulada? Será complicado colocar o lixo dentro dos ecopontos, não deitar lixo na rua? Será complicado varrer a frente da nossa porta, dizer bom dia ao vizinho, organizar acções de rua entre vizinhos, como limpar os jardins, plantar flores, fazer a manutenção de bancos e outro mobiliário de jardim?

Sim, se a cidadania fosse efectiva, seríamos capazes de fazer isto e muito mais! Só que temos um grande problema, é que, mesmo com a vontade das pessoas, os nossos eleitos não iriam permitir, porque, segundo o ponto de vista dos partidos, estas acções não dão votos… Aqui reside um grande problema da nossa democracia: os interesses dos partidos, já que os partidos passaram isso para nós, fizeram-nos pensar como eles, unicamente pensando em nós e não no vizinho ou na população em geral.

Para mudarmos a nossa sociedade, é preciso que cada um de nós mude as suas atitudes, não podemos pensar sempre em proveito próprio, mas em geral.


Quando coloco o lixo na rua antes da hora, não estou a respeitar aqueles que circulam por ela e tantas vezes se deparam com dejectos de cão e lixo fora dos ecopontos. Se eu quero a minha casa limpa, também devo querer limpa a rua por onde passo. A liberdade de cada um pára quando transgride a liberdade do outro.

Mateus Camacho (Membro da Coordenação Nacional +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

[Opinião +D] 25 de abril sempre !



Na próxima sexta-feira, dia 25 de abril, vamos todos fazer História! De forma diferente, mas talvez não menos importante do que aconteceu há 40 anos!

Nessa altura, lutou-se pela liberdade e pela democracia e conseguiu-se implementá-la. Hoje temos de lutar e conseguir restaurar a democracia que temos vindo a perder e conservar a liberdade que se vai desvanecendo.

Não podemos mais continuar passivamente em casa, no café e com bonitos textos no Facebook, a protestar contra o “estado a que chegámos” de que, noutro contexto, falava Salgueiro Maia na madrugada do 25 de abril de 1974 aos seus soldados.

Chegou a altura de passarmos à ação. De deixarmos de estar à espera que os outros tomem a iniciativa! Na altura, foram os “capitães” que muito fizeram por nós. Agora é chegada a hora de estarmos nós com eles de alma e coração.

Os que mandam, ou pensam mandar, no nosso país, decidiram que aqueles que possibilitaram que eles hoje sejam alguém, aqueles que fizeram o 25 de abril cuja degeneração de intenções fez com que sejamos sucessivamente governados por incompetentes ou, pior, por gente que se preocupa exclusivamente com o seu próprio bem, não poderão expressar a sua opinião durante as comemorações oficiais do 40º aniversário da revolução que eles mesmos puseram em marcha!

Não podemos mais adiar a nossa participação nem virar as costas ao inevitável. Vamos todos, estar no Largo do Carmo, em Lisboa, na manhã de dia 25.
Francisco Mendes (Membro da Coordenação Nacional +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

[Opinião +D] O camarada Passos



Imagine um trabalhador que sabe, antecipadamente, que o seu salário vai cair 5% no próximo ano. Mesmo que o seu desempenho melhore visivelmente, que despache o dobro de papéis, ou que venda o triplo, o seu salário baixará sempre 5% no próximo ano. Qual é a motivação deste trabalhador para a sua função? Nenhuma. E só se manterá no mesmo posto de trabalho se for uma personagem acomodada e pouco ambiciosa ou se não encontrar outro emprego. Agora imagine um país, onde todos os trabalhadores sabem que os seus rendimentos salariais vão descer 5% no próximo ano. É claro que a produtividade desta economia vai sofrer: a desmotivação generalizada resultará em gente com menos vontade de fazer, o que quer que seja. Uma empresa (e uma economia) só funciona bem, quando uma grande parte dos seus trabalhadores está entusiasmada para fazer mais e melhor, com o fito de conseguir um aumento de 5, 10 ou muitos por cento no seu ordenado. Qualquer estratégia de redução salarial está, portanto, condenada ao fracasso. Em primeiro lugar, dá azo a uma função pública pouco empenhada nas suas burocracias e apostando no veto de gaveta (os papéis entram para um arquivo morto, de onde só saem no dia em que o rei faz anos). Depois, o mesmo desalento alastra aos quadros das empresas privadas, que não têm incentivos para fazerem melhor. E finalmente, os melhores e mais ágeis escapam deste ciclo vicioso, partindo para países onde os seus esforços sejam recompensados com mais dinheiro. Embora encham a boca com o credo da economia de mercado e com o discurso do mérito, os partidos do governo inverteram as expectativas que constroem as economias de sucesso e transformaram Portugal numa deplorável economia comunista, onde tanto faz ser profissionalmente competente como incompetente – em qualquer dos casos, o empobrecimento é sempre certo.


José Diogo Madeira (membro da Coordenação Nacional do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

[Opinião +D] Via Rápida e Via Lenta para a Democracia Participativa



Falando com partidocratas (que, atenção: não são todos os militantes de todos os partidos) a crítica que mais oiço em relação à Democracia Participativa é a de que, mesmo agora, com as ferramentas disponíveis

(eleições, referendos, ILCs) as "pessoas não participam". E que assim, não vale a pena abrir mais formas de participação cidadã, porque as que já existem não são usadas pelos cidadãos.


Existem duas formas de aumentar este (baixos) níveis de participação dos cidadãos: a lenta, através da Educação, Formação Cívica e de uma metódica mas persistente mudança de mentalidades. E a maneira rápida:

pegando em todas as ferramentas de participação cidadã que já existem (referendos, petições, ILCs, candidaturas autárquicas independentes, etc), simplificar o seu acesso, aumentar o seu âmbito e promover a sua utilização e pela via do aumento da área de cobertura, conduzir ao incremento da sua utilização pelos cidadãos. Para já, optámos pela Rápida, nunca perdendo o foco e o objetivo na Via Lenta.


Não fazer nada para resolver este fosso crescente entre cidadãos e política é que certamente não pode ser opção.

Rui Martins (membro da Coordenação Nacional do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

terça-feira, 15 de abril de 2014

[Opinião +D] Paradoxos: esperanças e temores



Um grupo de estudiosos, professores e investigadores, de que fiz parte reuniu-se, há dias em Congresso, sobre a temática, "Educação: Identidade e Património". Esteve em discussão a importância do património material e imaterial, para o desenvolvimento humano. As heranças que traduzem e fixam memórias, reedificam crenças e geram atitudes e comportamentos Dão sentido ao presente e constroem futuros. Originam o património dos afectos, lastro comum de pertença. Pedagogos, historiadores, arqueólogos, paleontólogos, teorizaram sobre o valor, para a educação, destas memórias estruturantes, construtoras de equilíbrio e de bem-estar. A preocupação de respeitar e dar atenção ao processo de se tornar-se mais pessoa, através de memórias declarativas e ou implícitas. Múltiplos testemunhos e estratégias conjugadas com a preocupação de fazer gente mais feliz. Mais gente! A identidade que constitui o que nos diferencia, que nos torna genuínos, iguais a nós próprios, diferentes dos demais. Que cria um campo de emoções comuns, geradoras de comunidade. Territorializa a sociedade com as marcas do passado, da historia comum e do património. Reconfortada assim, no jardim das minhas crenças, adivinhava profeticamente, uma sociedade melhor, mais justa onde o valor fosse mais que o preço. Tecia a esperança em pessoas mais felizes, grupos e comunidade melhores e mais comprometidas. Mais solidarias. A importância e revalorização do testemunho e da partilha tornariam o universo humano e mais prometedor.

Dia 14, ontem, num outro contexto, um ilustre orador proferiu uma conferencia sobre o Clube de Bilderbergue , a que igualmente assisti. Apesar de tudo o que é silenciado e gerido pelos cento e poucos "deuses do mundo", no segredo das catacumbas, podem perceber-se, os desígnios dos seus mentores. Tal silencio, ao longo de já sessenta e tal sessões desde que foi criado em 1958, permite que venham a impo um controle geral, através de sistemas de manipulação. Não se trata de algo sobre o que apenas se especula. O mundo global com, apenas um governo, uma economia, uma religião, um exercito...pode estar em marcha, numa afirmação dos mais hediondos totalitarismos opressivos. Como tudo o que envolve secretismo e mistério, o assunto espicaça a curiosidade, gera temores. Deixa adivinhar insondáveis e hipotéticos destinos sombrios. Um mundo de totalitarismos que delineia uma nova ordem mundial. Uniformiza e amarfanha a sociedade, decreta as crises que geram ansiedade e depressão. Aniquila patrimónios e identidades e vence, pela força, impedindo, cada um, de ser construtor de destinos, autor e ator da sua vida. Questionemos e estejamos alerta, pois, este admirável, ou, terrifico, mundo novo que presenta mecanismos de submissão e de indignidade humana, numa total globalização que paralisa pela inevitabilidade e carência de recursos. Que, vencendo pelo stress, se apresenta e aceita, como inevitabilidade. É preciso, mais do que nunca, estar atento. Agir de forma concertada para que a democracia vença a imposição ideológica trazida pela inevitabilidade das crises artificiais. A educação tem que servir como reforço na afirmação da identidade e do património. Para preservação dos valores e dignidade de todos os homens.

Maria da Conceição Serrenho Couvaneiro (Conselho Geral do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.
                                                    



segunda-feira, 14 de abril de 2014

[Opinião +D] A Galiza e a Lusofonia



No Editorial da sua edição de 10 Abril do corrente ano, o Jornal Público, sob o título de “A Galiza e o estranho mundo da lusofonia”, qualifica como um “truque” a recente (data de 11 de Março) aprovação parlamentar, por unanimidade, da Iniciativa Legislativa Popular «Valentín Paz-Andrade», que visa não só, conforme é dito, o ensino obrigatório da língua portuguesa na Galiza, como ainda o relacionamento institucional e a recepção dos mass media portugueses. Tudo isto para, como é dito no Editorial, “estreitar laços com os países da lusofonia”.

Com o devido respeito, não vemos onde está o “truque”. Parece-nos perfeitamente natural esse estreitamento de laços com os países da lusofonia e que isso passe, desde logo, pelo ensino da língua. O que tem sido um “truque”, ou seja, algo de totalmente artificial, tem sido a política oficial nas últimas décadas de escamoteamento da especificidade da língua e da cultura galega e do voltar de costas ao espaço lusófono. Que finalmente o Parlamento galego tenha reconhecido, por unanimidade, o óbvio, isso só pode pecar por tardio.

No Editorial diz-se ainda que a medida “há-de ser aplaudida com euforia pelos que ambicionam ver a Galiza como parte da CPLP, alterando-lhe os estatutos para também receber regiões”. Tirando a referência à “euforia” (apenas porque não sou dado a esse tipo de sentimentos), assumo que aplaudo a iniciativa e que também me parece natural que a Galiza esteja institucionalmente representada na CPLP, assim como outras regiões com ligações históricas ao espaço lusófono – como, apenas para dar três exemplos, Goa, Macau e Malaca. Salvaguardando a diferença de estatuto entre regiões e países, o espaço lusófono só ficará completo quando abarcar e abraçar não apenas os países como todas essas regiões.

Tudo isto, obviamente, respeitando a vontade expressa das pessoas de cada uma dessas regiões – como foi agora o caso. Se a Galiza pretende pois “estreitar laços com os países da lusofonia”, não percebemos o incómodo que isso possa causar (a menos que se continue a agitar o “papão espanhol”). Se, como se escreve ainda no referido Editorial, deve haver uma “relação de respeito recíproco e em total liberdade”, não compreendemos em que medida esta iniciativa põe em causa esse respeito recíproco e essa total liberdade. Foram os parlamentares galegos que (por unanimidade, reitero) votaram esta iniciativa.


Que a iniciativa seja aplaudida em Portugal e um pouco por todo o espaço lusófono, isso só pode ser visto como um bom sinal: não só do reconhecimento do nosso passado histórico comum, como, sobretudo, da importância para o nosso futuro colectivo do desígnio estratégico da convergência lusófona – no plano cultural, desde logo, mas também nos planos social, económico e político. Não por acaso: nesta quarta-feira, 16 de Abril, na Sociedade de Geografia de Lisboa, no âmbito do II Congresso da Cidadania Lusófona, o MIL: Movimento Internacional Lusófono entregará o Prémio Personalidade Lusófona ao cidadão galego (e lusófono) Ângelo Cristóvão, em reconhecimento de todo o seu incansável trabalho em prol do reforço dos laços entre a Galiza e a Lusofonia. Fica o convite. Sem “truques”.

Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

[Opinião +D] 25 de abril sempre






Muitas e boas são as razões para comemorar os quarenta anos do 25 de abril. Portugal é, em muitos aspectos, um país melhor do que era até então. Mas uma das promessas da revolução dos cravos – a democracia – ainda está por cumprir. Claro que vivemos numa democracia, onde todos podem dizer o que pensam, organizar-se em sindicatos e promover manifestações públicas sobre o que entenderem. Mas o sistema partidário, um dos pilares dessa democracia, foi profundamente corroído. Primeiro, porque os partidos não representam os seus eleitores, mas os seus dirigentes. Quanto votamos numa lista para a câmara municipal ou para a assembleia da República, não escolhemos que deputados queremos exactamente eleger. É o mesmo que comprar fruta num saco previamente fechado: já sabemos que os morangos que estão por cima são sempre os mais bonitos e vistosos, mas que lá pelo meio deve haver muito fruto bolorento. Depois, os partidos não são internamente democráticos, porque se organizam em função dos interesses dos seus dirigentes e não das suas bases. O melhor exemplo disso são as listas que a generalidade dos partidos apresentam às várias eleições: elas são construídas e impostas pelas direcções partidárias, que nesse processo esmagam as várias estruturaras intermédias. Assim, replicam e cristalizam os grupelhos que dominam o aparelho. Só muito recentemente, um partido português organizou uma lista eleitoral através de um processo de primárias abertas aos seus militantes e a independentes. Finalmente, os partidos políticos transformaram-se em centrais de interesses financeiros e económicos, repletos de gente (criminal e moralmente) corrupta, o que provocou uma onda adicional de repugnância dos cidadãos pela participação política. Portugal precisa de novas práticas para repor a dignidade e a vida partidária, enquanto instrumentos vitais para uma sociedade mesmo democrática e onde todos participem, saudavelmente, na condução dos assuntos públicos. Não será preciso exactamente um novo 25 de abril, mas isto também já lá não vai apenas com falinhas mansas.


José Diogo Madeira (Membro da Coordenação Nacional +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.