A política portuguesa está a passar por uma grave crise ideológica, moral e ética e isso dá origem à falta de interesse das pessoas, pelos assuntos do país. Tenho constatado junto dos mais jovens que existe pouca motivação e pouco interesse pela política. Criou-se a imagem que os políticos são todos desonestos apesar de isso não corresponder totalmente à verdade, visto que ainda existem muitos que lutam com seriedade pelos seus ideais.
Esta apatia é grave, visto que são as nossas vidas que estão em jogo e o nosso futuro e o futuro do nosso país.
Desde 25 de Abril de 1974 vivemos em Democracia. Democracia é a forma de governo em que a soberania é exercida pelo povo. É um regime de governo em que todas as importantes decisões políticas estão com o povo, que elegem seus representantes por meio do voto, no entanto o povo omite-se, não comparece a exercer esse direito. De eleição para eleição, a abstenção tem vindo a crescer. Também aqui, se verifica entre as camadas mais jovens esse desinteresse. Está na hora do povo tomar consciência da importância da sua participação no destino do país e voltar a participar ativamente neste processo eleitoral.
Outra forma de luta que não está a ser devidamente utilizada pelo povo, são as manifestações, que têm por objetivo demonstrar o descontentamento em relação a algo. As pessoas acomodam-se alegando que não vale a pena e continuam a reclamar sem nada fazer. Mas temos provas que uma manifestação poderá ter um êxito tanto maior quanto maior for o número de participantes.
Temos que tomar consciência desta realidade e começarmos a participar ativamente.
Os jovens, que irão estar um dia à frente deste país, têm que começar desde já a mostrar mais interesse pela política nacional e a participar mais no destino do país. Com o tempo, os jovens foram perdendo o espirito politico que víamos no passado. Os jovens têm que voltar a ter esse espirito, para não terem que sair para o estrangeiro, como tem vindo a acontecer. É lamentável ver os cérebros do nosso país a partir por falta de oportunidades, quando deveriam ficar e as suas capacidades serem aproveitadas no desenvolvimento de vários sectores. Os jovens de hoje em dia são os mais bem preparados dos últimos tempos e se lhes forem dadas oportunidades em Portugal, eles têm capacidade para reverter algumas situações e fazer crescer alguns sectores que estão um pouco postos de parte.
Está na hora de MUDAR. Temos que mudar mentalidades. Portugal é um país cheio de recursos naturais e tem excelentes condições, só temos que arregaçar as mangas e LUTAR…
terça-feira, 8 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
[Opinião +D] Contra o sectarismo
O pensamento mediático (leia-se: o “pensamento” que em geral nos é impingido no espaço dos “media”) tende a ser um pensamento dilemático. Não só, exemplo mais evidente, entre “esquerda” e “direita”. À luz desse pensamento mediático, que cada vez mais infesta todo o pensamento, por se apresentar como o único pensamento de referência, tudo nos aparece como um dilema: “tradição” ou “inovação”, “conservadorismo” ou “progressismo”, “espiritualismo” ou “materialismo”, etc.
Já o pensamento filosófico, ao invés, emerge de uma lógica bem diferente. Decerto, nunca ocorreu a um Filósofo digno desse nome escolher, apenas para dar um exemplo clássico, entre “Uno” e “Múltiplo”. Pois que, filosoficamente, não se trata de escolher mas de acolher e integrar todas as contrapolaridades numa única visão. Só assim esta será uma visão ampla, filosófica, e não estreita, dilemática.
Para usar uma imagem de um Filósofo digno desse nome (falamos de José Marinho, provavelmente o maior Filósofo português do século XX), do que se trata, ainda e sempre, é de realizar essa “espiral que com a sua maravilhosa adunação abraça e funde, prevê e espera abraçar e fundir sem violência, todo o diverso revelado e possível”. Eis a “espiral” que representa, para o nosso pensador, o próprio “conhecimento da verdade”. Realiza ela a adunação de toda a diversidade, realiza-a ela de tal modo que essa adunação se cumpre “sem exclusão da mesma diversidade”.
Analogamente, não temos que escolher entre “conservadorismo” e “progressismo”, ou entre “tradição” e “inovação”, como a todo o momento o pensamento dilemático nos propõe. Nem é preciso recorrer a nenhum Filósofo digno desse nome para o perceber. Basta olhar para a própria Vida. Basta o saber da Vida para percebermos que não há real progresso se não se conservar, ao mesmo tempo, o que houver a conservar, que não há verdadeira inovação que se possa afirmar por negação da tradição, o que seria tão absurdo quanto defender que uma árvore só cresce se destruir as suas raízes…
Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Já o pensamento filosófico, ao invés, emerge de uma lógica bem diferente. Decerto, nunca ocorreu a um Filósofo digno desse nome escolher, apenas para dar um exemplo clássico, entre “Uno” e “Múltiplo”. Pois que, filosoficamente, não se trata de escolher mas de acolher e integrar todas as contrapolaridades numa única visão. Só assim esta será uma visão ampla, filosófica, e não estreita, dilemática.
Para usar uma imagem de um Filósofo digno desse nome (falamos de José Marinho, provavelmente o maior Filósofo português do século XX), do que se trata, ainda e sempre, é de realizar essa “espiral que com a sua maravilhosa adunação abraça e funde, prevê e espera abraçar e fundir sem violência, todo o diverso revelado e possível”. Eis a “espiral” que representa, para o nosso pensador, o próprio “conhecimento da verdade”. Realiza ela a adunação de toda a diversidade, realiza-a ela de tal modo que essa adunação se cumpre “sem exclusão da mesma diversidade”.
Analogamente, não temos que escolher entre “conservadorismo” e “progressismo”, ou entre “tradição” e “inovação”, como a todo o momento o pensamento dilemático nos propõe. Nem é preciso recorrer a nenhum Filósofo digno desse nome para o perceber. Basta olhar para a própria Vida. Basta o saber da Vida para percebermos que não há real progresso se não se conservar, ao mesmo tempo, o que houver a conservar, que não há verdadeira inovação que se possa afirmar por negação da tradição, o que seria tão absurdo quanto defender que uma árvore só cresce se destruir as suas raízes…
Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os
textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos
órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
[Opinião + D] Faz-nos falta Gente assim!...
No passado dia 3 de abril fez 22
anos que morreu Salgueiro Maia.
Como vem sendo hábito,
realizou-se uma cerimónia de homenagem em Santarém, junto à sua estátua e à
chaimite que o acompanhou na manhã do dia 25 de abril de 1974 rumo a Lisboa.
Desta vez reforçada pelo facto de se aproximarem agora os 40 anos da chamada Revolução
dos Cravos. E discursaram o Coronel Correia
Bernardo (também ele teve fulcral importância no planear e no dia da revolução,
apesar de pouco conhecido fora de Santarém) e o Presidente da Câmara Municipal
de Santarém.
Estive lá presente, tal como
estiveram dezenas de munícipes de Santarém, uns mais outros menos conhecidos
nestas lides, apesar da chuva que se previa e que no fim nos mandou embora um
pouco mais rapidamente.
Natércia Maia, a professora de
muitos scalabitanos, mulher de Salgueiro Maia, voltou também a estar lá e ainda
bem, mas desta vez não falou. Ela que tantas vezes me diz a mim e a outras
pessoas que nunca sabe muito bem como deve agir e reagir em muitas das
situações e eventos em que se vê envolvida. É que não sabe o que é que o marido
faria se ali estivesse presente. Tem dúvidas, como todos nós, sobre o que é que
ele pensaria destas homenagens póstumas. Ele que nunca as permitiu em vida, ele
que nunca quis condecorações, nunca quis reconhecimentos, muito menos aceitar
qualquer género de cargos…
Também eu, quando estou nestes
eventos, penso se aquele Homem acharia bem que gente como eu, que apesar de o
admirar muito, nem sequer o conheci (ele morreu em 1992 e eu passei a viver em
Santarém em 1993), estivesse ali.
E mais ainda reflito sobre o que
pensaria este Homem, que viveu o suficiente para perceber que abril não estava
a ser cumprido, de por todo o lado de Portugal ser homenageado também pelos
muitos diretos responsáveis por Portugal não ter seguido o espírito desse dia
de 74. Ele que disse: "Não se preocupem com o local onde
sepultar o meu corpo. Preocupem-se é com aqueles que querem sepultar o que
ajudei a construir".
O que acharia das nossas atuais
preocupações sobre se a sua estátua deve estar mais aqui ou mais ali um Homem
que deixou dito que: "Determino que desejo ser sepultado em Castelo de
Vide, em campa rasa, e utilizar o caixão mais barato do mercado, o transporte
do mesmo deve fazer-se pelo meio mais económico, de preferência, em viatura
militar".
O que acharia ele de, 40 anos
depois do 25 de abril, continuarmos mais e mais a ver crimes de corrupção e
usurpação prescreverem impunemente, assistirmos a roubos que quase parecem ser
ou são mesmo legais como acontece com as PPP, com o BPN e tantos mais? O que
acharia do povo português estar a perder tudo o que a nível de saúde, educação,
justiça, etc. foi conseguindo no seguimento do esforço dele e de muitos? E o
que acharia ainda de tudo isso estar a ser conseguido com a desculpa (com a
capa…) da inevitabilidade?! O que pensaria, em suma, de estarmos, sem a
necessidade de qualquer revolução e com a nossa generalizada conivência e
complacência, a deixar fugir a nossa Democracia?!
É que, para o bem e para o mal,
ele era diferente (ou é…, porque há coisas que não morrem …). Faz-nos falta
Gente assim…
Francisco Mendes (Membro da Coordenação Nacional +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.
segunda-feira, 31 de março de 2014
[Opinião +D] Ainda estamos “em tutela”
Numa das cerca de meia centena de Cartas escritas para António Telmo, escreveu Agostinho da Silva o seguinte: "Parece, no entanto, que pelo jeito com que estão tratando do assunto todo o governo e a oposição, talvez as coisas rebentem primeiro na África, com uma declaração unilateral de autonomia, à moda rodesiana; e parece que grande parte da gente em Portugal se inclina para o abandono de África; o que significará imediatamente Portugal em tutela." (Carta de 17 de Novembro de 1968, in Revista NOVA ÁGUIA, nº 13, 1º Semestre de 2014, p. 102). Quarenta e cinco anos depois, é caso para perguntar: não é como estamos?
Decerto, Agostinho da Silva não defendia a manutenção do regime colonial – pelo contrário, denunciou bem cedo o seu esgotamento. Simplesmente, o fim do regime colonial não deveria implicar, a seu ver, o “abandono” de todos os territórios de língua portuguesa, em prol de uma aposta exclusivista na integração europeia. Dever-se-ia ter criado bem mais cedo uma verdadeira Comunidade Lusófona. Num texto publicado no jornal brasileiro O Estado de São Paulo, com a data de 27 de Outubro de 1957, Agostinho da Silva havia já proposto “uma Confederação dos povos de língua portuguesa”. Escusado será dizer que, passado já mais de meio século sobre esta proposta, estamos ainda longe, muito longe, de ter cumprido este sonho. Ainda estamos “em tutela”.
Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os
textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos
órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.
sábado, 29 de março de 2014
[Opinião +D] Gastronomia e Teatro
Quando é possível vou por aí e poder apreciar alguma da gastronomia local é um ótimo começo para descobrir uma região, uma cidade uma comunidade. Os vários agentes, com as autarquias à cabeça, esforçam-se para melhorar, divulgar e inovar usando os produtos mais tradicionais que assim podem agradar a um numero mais vasto de interessados e despertar a curiosidade e a empatia.
Sobre Teatro :
Devo em jeito de aviso prévio dizer que a minha ligação afetiva a um projeto de teatro no baixo Alentejo, me condiciona a razão. Com este fator diferenciador, procuro corrigir o erro de paralaxe, em que incorro, na tentativa de acertar no alvo. Este projeto que me motiva neste texto, já tem mais de uma década de vida e uma linguagem própria que enriquece com a constante importação de talento via ateliers, workshops, residências artísticas e proporcionando estágios remunerados a jovens atores. Contrata profissionais do sector, mais ou menos conhecidos e desse esforço pago, e reforço a palavra pago, criou uma presença inovadora, uma estrutura profissional e uma relação com os principais intervenientes sociais da região que se traduzem em inúmeras atuações fora do Concelho e do Distrito de origem. Um Município que possa contar com uma estrutura profissional residente que respira e vive a identidade local e onde encontra a inspiração para as suas intervenções, tem que apesar das dificuldades e constrangimentos de gestão, apoiar aquele que é sem duvida um laço de identidade local. Nesta altura parece-me que é vital para as comunidades que se reforce a sua coesão e auto estima. No entanto, em cima das dificuldades, por todo o país, aquilo que está a acontecer é o alheamento das autarquias pela Cultura e por aqueles que profissionalmente desenvolvem trabalhos sérios, comprometidos e enriquecedores da realidade local, favorecendo soluções de entretém imediato, completamente amorfo e sem envolvimento das populações.
Como na Gastronomia, precisamos que os agentes locais de Cultura consigam criar projetos sustentáveis que envolvam, divulguem e redefinam a realidade das suas comunidades utilizando os produtos locais transformando-os com trabalho e inovação.
Aos autarcas é pedida a capacidade de investir no património imaterial da sua comunidade como nos outros tipos de património, sob pena da agonia das mesmas se acentuar descontroladamente.
São apostas estratégicas. Vamos ver quem as assume.
Carlos Seixas (membro da Coordenação Nacional do +D)
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segunda-feira, 24 de março de 2014
Quarenta anos depois… [Opinião +D]
Se, por um lado, o Portugal de hoje é um país mais desenvolvido, temos agora a plena consciência de que o preço desse desenvolvimento foi a quase bancarrota. Muito mais desenvolvidos do que há quarenta anos, temos hoje muito menos autonomia para definir o nosso futuro colectivo. Cada vez mais, estamos à mercê dos nossos credores, a quem só nos resta pedir um perdão parcial da nossa dívida ou, como agora se diz em linguagem mais politicamente correcta, uma “reestruturação”. Quarenta anos depois, convenhamos que o balanço poderia e deveria ser bem mais positivo.
Poderíamos e deveríamos ser hoje um país ainda mais desenvolvido e muito mais forte à escala global, assim não tivéssemos desprezado os laços com os restantes países e regiões do espaço lusófono, o que foi decerto o nosso maior erro geopolítico nas últimas décadas. Ter apostado tudo na integração europeia levou-nos a este beco sem aparente saída, a este impasse, provavelmente o maior impasse da nossa já longa história. O balanço final de Abril dependerá, em última instância, da forma como conseguirmos (ou não) superá-lo. Haja vontade para tanto.
Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
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segunda-feira, 17 de março de 2014
[Opinião +D] Sem autonomia cultural não pode haver autonomia política
“Sem autonomia cultural não pode haver autonomia política” – eis um dos princípios do Movimento da Filosofia Portuguesa que permanece por inteiro actual. E não apenas para Portugal. Para dar um outro exemplo lusófono, se Timor-Leste resistiu à ocupação indonésia e se conseguiu afirmar a sua autonomia política foi, desde logo, porque soube sempre preservar a sua autonomia cultural. Essa foi a base de tudo o resto.
Vem esta breve nota a propósito do lançamento de mais um número da Revista NOVA ÁGUIA – o décimo terceiro –, uma revista que, nas palavras do ensaísta Miguel Real, “sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português”. Em prol da preservação da nossa autonomia cultural, fica pois o convite: a sessão decorrerá dia 23 de Março (Domingo), às 17h, no Palácio da Independência, em Lisboa (junto ao Rossio).
Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
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órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.
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