domingo, 22 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Haja audácia

ortugal está à deriva. Não sabemos bem quem nos governa. O governo insiste em continuar a seguir políticas de austeridade que levam muitas famílias ao limite do desespero. O próprio Cavaco Silva apesar da sua, quase, imobilidade, vai duvidando de certas medidas. O Tribunal Constitucional diz que não pode ser e perante isto, o Primeiro Ministro afirma, num país estrangeiro que tem um plano B. E, afinal, há sempre uma plano B.
 Acho que já nenhum português tem paciência para ouvir políticos e muitos reclamam que isto não pode ser e que alguma coisa tem de mudar. No meio de tudo isto, os partidos da oposição parecem tudo menos preparados para reagir e as lutas internas são visíveis aos olhos de todos, por muito que as tentem esconder. Com o aproximar das eleições europeias surgem novos “movimentos” de apoio a figuras mais ou menos mediáticas. Projetos que eu duvido que perdurem para lá das europeias.
As máquinas partidárias não mudam. Não querem mudar. Só assim continuará a haver espaço para o carreirismo político. Todo o sistema está montado de forma a que o cidadão apenas tenha a ilusão de que participa na vida democrática deste pais. Farto dos sacrifícios a que é obrigado, o cidadão comum reage no facebook, em frente à televisão, na paragem do autocarro…
Quando será que acordam? Olhem para a Suiça. Aí sim,, há participação cidadã. Por cá não passa de ilusão. Os movimentos de independentes só podem candidatar-se às autárquicas e mesmo aí  tudo está montado para dificultar o sucesso dessas iniciativas. Mas isto não tem de ser assim. Temos de tomar o poder da mudança nas nossas mãos. Temos de ter coragem e ambição de perceber que tudo pode ser mudado basta que haja quem acredite e tenha a audácia de querer fazer.

A história está cheia de exemplos de homens e mulheres corajosos que mudaram a vida dos seus países. Uns mais conhecidos que outros. Uns mais envoltos em lendas que outros mas o facto é que tem sempre de surgir alguém com a coragem de avançar. Alguém que tenha um sonho que possa por outros ser seguido. Tenhamos a coragem de fazer alguma coisa!!!


Margarida Ladeira (Membro da Coordenação Nacional +D)
Este comentário é da exclusiva responsabilidade da sua autora

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

[Opinião +D] O que é preciso mais ?

É falta de imaginação minha mas o assunto que hoje me faz escrever uma linhas é recorrente, funesto e evitável. Se eu pudesse entrar no cérebro de quem nos governa e pudesse espiolhar as sinapses da luminária que pela enésima vez quis ver ratificado, um diploma que conseguiu o veto unânime dos juízes do Tribunal Constitucional,  poderia decerto entrar num mundo cor de rosa, cheio de produtos de marca e preços a condizer, passear todos os dias à beira-mar e beber um cocktail ao pôr do sol, ou ficar espantado com a escuridão, o gelo e as esquinas agrestes próprias de um ambiente frio e calculista. Os executores e os mentores da estratégia de austeridade que salva os todo poderosos interesses financeiros, estão à espera da gorda migalha que os premeie e que os tire das esquinas frias e sombrias para as solarengas e hospitaleiras praias do Sul. Já os outros passivamente aguardam que o Natal lhes ponha na mesa uma refeição quente e composta porque esta estação vai ser particularmente dura. No sapatinho, o iva, espera engordar na passagem do ano e a nossa vontade enregelada nem se mexe para aquecer. A unanimidade da resolução do Tribunal Constitucional estilhaça qualquer réstia de tolerância que possamos ter para com estes desmandos, aguardo, por isso, que o Inverno nos enrije o discernimento e a ação.




Carlos Seixas  (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Até porque é Natal

Estamos a dias de nos voltarmos a encontrar. Muitas coisas se passaram, depois do nosso último encontro, tanto nossa vida pessoal como na do Movimento. Amámos, sofremos, chorámos, rimos, sei lá eu (?)...Vivemos! Exultámos, na interioridade da paz, mas também nos rebelamos contra aquilo que considerámos mau e injusto. Fizemo-lo ante o que nos foi dado viver e, questionamo-nos sobre isso. Sobre a responsabilidade que a cada um cabe, enquanto ator deste processo vida. Caminhamos, às vezes, ante céus enevoados sem sabermos bem como prosseguir. Mas, vamos deixando sempre, no terreno, a nossa pegada. Por isso e porque além demais, somos amigos, iremos partilhar preocupações, catalisar sonhos, caminhos feitos e por fazer. Mãos dadas, rumo a uma nova manhã, faremos do encontro a festa, até porque é Natal. Partilharemos esta inquietação de sermos construtores de um novo tempo em tempo conturbado e turbulento, desejando colocar no zénite, uma pequena estrela a brilhar. Sabemos que, cada um de nós tem nas mãos o facho do futuro, que conduzimos juntos. Um magma de esperança fará o caudal de um tempo novo se soubermos e quisermos. Lamentar apenas, não serve para nada. Revigorados com este espírito de Natalício vamos dialogar, por em comum, assumir dinâmicas, solidarizarmo-nos, comprometermo-nos! Estaremos aí. Até lá.


Conceição Couvaneiro (Conselho Geral do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Nada, de facto, como regressar aos clássicos para desvendar os paradoxos caseiros…

Há quem não consiga perceber os paradoxos da dita “esquerda portuguesa”, que, quanto mais diz pretender unir-se, mais se divide (vide as últimas iniciativas de Rui Tavares e Carvalho da Silva), mas, para compreendermos esses paradoxos, nada melhor do que regressar aos velhos gregos – em particular, ao pré-socrático Zenão de Eléia. Descreveu ele a seguinte situação: “Imagine um atleta querendo correr uma distância de 60m, para chegar no final do percurso ele primeiro terá que passar no ponto que corresponde a 1/2 (metade) do percurso, depois no próximo ponto que corresponde a 2/3 do percurso, depois 3/4 do percurso, para assim chegar a 4/5 do percurso e depois 5/6 do percurso e depois 30/31 do percurso ao ponto correspondente a 199/200 e depois ao ponto 5647/5648 do percurso (que numericamente corresponderia a 59,9893798 metros), tendendo assim a ser um número infinito de pontos antes que o corredor chegue ao final. Como o infinito é uma abstração matemática que significa algo que não tem limite, o atleta jamais conseguiria chegar ao final do percurso (60 metros), pois ele teria que percorrer infinitos pontos para chegar a um final”. Nada, de facto, como regressar aos clássicos para desvendar os paradoxos caseiros…






Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

[Opinião +D] Participação

O SONHO
Somos do tamanho dos nossos sonhos; não da nossa bolsa. Enquanto portugueses, enquanto sociedade, somos aquilo que em coletivo conseguirmos desejar; não somos o resultado dos nossos contributos financeiros. É verdade que esta participação europeia tem reduzido o nosso coletivo aos nossos magros recursos. Também é verdade que a União Europeia é apenas uma união económica. Quem procure mais que essa realização naquele contrato, frustra-se. Os contratos nem sempre correm bem. Por isso, quem se mede pelo alcance da bolsa vive agora tempos magros. O azimute do sonho coletivo sustenta-se com o que o caminho lhes dá. O sonhador vive num corpo pouco exigente. Para ele, economia rima com poesia apenas na publicidade que circunstancialmente troca por alguma satisfação.

CONSTITUIÇÃO
Para que o coletivo se torne viável, há a norma transformada em lei comumente aceite e respeitável. A raiz, a mãe, a primeira das normas que em comum aceitámos, foi a Constituição. Nela encontramos raiz para todo o coletivo. Nela, na Constituição da República Portuguesa, temos as regras de participação nas decisões coletivas. Da prática dessas regras, podemos encontrar resultados que podem ou não, corresponder às expetativas que criaram os “pais” da constituição. Pais sim, que foi feita no tempo do poder paternal e nem sonhavam eles que havia de durar até agora, época em que a responsabilidade parental cabe também e em igualdade de circunstâncias… às mães! Mas se a constituição tivesse tido mães, se fosse uma genuína filha delas, não seria como é: fechada, triangular, hierárquica, limitadora dos exercícios de poder que reparte porque não tem coragem para responsabilizar os seus executores! Imagino que as mães da constituição a deixariam mais solta, mais aberta à criação e também mais responsabilizadora dos seus atos, todos os que a praticam! Essa seria a grande diferença!

A CRIAÇÂO
A vontade paternalista que presidiu e enformou a nossa constituição foi idêntica à que criou outras, mas como em todas as receitas, os ingredientes e a cozinha são mais importante que a receita em si, por melhor que esta seja! Por idêntica razão à que faz o cozido, o torriscado, a boleima e os ovos-moles serem aquelas maravilhas que não imaginamos trocar de locais e gentes, também cada povo deveria ter a sua constituição e não a universal stone-soup que nos dão invariavelmente! Sim, pode-se concluir que o regionalismo já devia de ser uma realidade! Mas dessa receita minutada que nos deram há 37 anos e das emendas que lhe fizeram, talvez uma apenas tenha servido para adaptar a receita aos ingredientes e à cozinha! As outras mexidas, foram para a tornar ainda mais igual ao que não é: europeia. Nem será, que a Europa não tem a variedade e riqueza que esta terra tem! Mas como ainda está o pai na cozinha, temos de comer da sopa de pedra!

A METÁFORA
Agora imagine-se, com esforço mas imagine-se que a mãe resolve tomar conta da cozinha e usar os ingredientes que conhece. Imagine-se o banquete feito daquilo que ao pai sobraria porque não lhe sabia o que fazer! E ao gosto de cada familiar, sem obrigar os putos a comer favas nem os homens a comer couves! Mas cada um teria a sua função na tarefa da preparação do banquete, com responsabilidade que se apuraria na hora de distribuir o próximo banquete. (Nada de acreditar que a mãe e o pai são as mulheres e os homens, que isso é reduzir a humanidade ao que ela não é!) Vamos a ver o que se aproveita da constituição: começando por algum lado que não é importante onde se mexa primeiro mas é urgente mexer no essencial que são as responsabilidades. Os constituintes deixaram as responsabilidades para o povo. De vez em quando, este tem a responsabilidade de despedir os cozinheiros e contratar os que melhor se fizeram parecer. Também tem a responsabilidade de sustentar a dispensa através dos impostos. E os cozinheiros? Têm como responsabilidade encherem-se enquanto dura o contrato pois sabem que acabado este, tudo pode acontecer! Do mais, se fazem bispo ou deixam estragar a farinha, nada lhes é imputável! De modo que podem esbanjar, rebolar na nata e trocar os ingredientes à vontade do momento, pois daqui a outro contrato já ninguém se lembra!

RESPONSABILIDADE
Como é que podemos fazer de maneira diferente? Responsabilizando os cozinheiros, claro! Todos os que tocam na receita e tenham como missão usá-la, devem ser responsabilizáveis. Do parlamentar ao juiz, do diretor-geral ao médico, todos devem ser responsabilizáveis. Esse é o grande déficit da nossa democracia tentada: de responsabilização.  Porque não respondem os deputados perante quem os elege? Porque quem os elege é o povo português e esse é que tem a responsabilidade na escolha! Se os deputados fossem eleitos por certo círculo de cidadãos a quem tivessem de prestar contas a miúde, diretamente, a qualidade do parlamento seria outra! E o juiz, quando larga a sentença na vida das pessoas agravando-lhe o inferno do recurso à justiça, sempre com a desculpa de que o cidadão pode recorrer para tribunal superior se não lhe servir aquela sentença, se fosse responsabilizável pela lei que não usou ou o princípio que preteriu, a qualidade da justiça seria outra! Quando do diretor-geral resolve remodelar a decoração e o staf deitando fora tudo o que podia continuar a servir bem, se lhe saísse do bolso e do seu crédito social, pensaria duas vezes!

O POVO
Mas afinal, como é que o povo, esse eterno responsável pelas más escolhas das nossas democracias tentadas se tem enganado tanto? Como é que a sabedoria do povo que tão brilhantemente o tem norteado estes quase 19 séculos, de repente num espaço de menos de 40 anos consegue dar tanto tiro nos pés? Tudo começa na receita com as suas condicionantes de por um lado, querer fazer omeletes sem partir os ovos como é o caso da responsabilização e da mais grave condicionante que é obrigar o povo a fazer os bolos sem poder abrir os pacotes da farinha! Acontece que quem tem a farinha tira disso bom partido e blindou mesmo os pacotes, de tal forma que eles não se abrem nem durante as misturas nem durante a cozedura! Vai daí que quem quer passar incólume por todo o processo democrático, basta entrar num dos pacotes da farinha, de preferência dos grandes que têm mais resistência! Algum povo esperto, foi logo o que fez e se as coisas no seu pacote começam a ficar apertadas, é só mudar de pacote! Mas a maioria do povo não é de natureza empacotável. É povo mas andar avulso não lhe causa ansiedade!

OS PACOTES DIFERENTES
O povo acarreta a responsabilidade de escolher o que não quer, pois de entre farinha do ano ou farinha de mistura, desde que vá conseguindo viver, pouco lhe importa! Se a fábrica tivesse intenção de partilhar, abriria as embalagens de farinha. Parece que a constituição - a receita - até prevê algo quando diz que os pacotes devem integrar os independentes. Mas não diz que tipo de integração e responsabilidade deve ter a embalagem. Por isso, ignore-se essa parte que não dá para aplicar. Assim os partidos vão continuar blindados e incólumes ao povo e à democracia também. E o parlamento reflete bem isso. A miúde, vão nascendo outros pacotes mas são pequenos e por isso, dão imenso jeito aos grandes que vêm mais algum povo embrulhado em pacotinhos que não conseguem chegar à cozinha mas enquanto se vão embrulhando, não ameaçam estragar os pacotes maiores. A receita deveria obrigar a cozinha a usar, também dos pacotes pequenos, assim numa proporção razoável para eles se sentirem parte da receita.

ALGUMA REALIDADE
De nada vale à democracia fazer pacotes ou partidos que serão sempre mais pequenos e servem aos grandes para neles quebrar parte da força que teria de enfrentar se a sociedade já não se prestasse a esse favor. Por isso, seja o que se faça para mudar se não tiver como primordial propósito mudar a receita ou a constituição de modo a que os pequenos partidos também possam cozinhar ou ter assento parlamentar, de nada servem as boas intenções de mudança. Se não querem entrar na cozinha, para que é que usam a farinha? Por rateio ou por imposição de quota parlamentar, pouco importa agora. Nesta segunda década do século 21, importante é que a receita permita que todos nela entrem. Sem esta emenda, nada realmente mudará. Da mesma forma que de nada serve a cozinha ou o parlamento se aos ovos e aos pacotes de farinha que alberga não for suscetível que se possam abrir. Abrir ao povo sempre que este precisa de formação cívica atual e atuante. Sempre que este precisar de conhecer a natureza dos ingredientes que tem de usar.

BASTA DE SERMÃO!
Não sei indicar receitas que me repugnem usar nem saiba fazer. Sou daquelas pessoas que também não ouve quem sabe muito. Diziam os avós que quem sabe muito é o diabo porque é velho. Prefiro sempre quem faz. Aceito de bom grado quem faça melhor que eu e estou sempre disposta a mudar para melhores práticas. Por isso não me atrevo a indicar caminhos nem a apontar erros aos outros. Não há na vida tempo para apontar erros; há sim, tempo para corrigir e melhorar, adaptar e construir até à satisfação possível. Nem me passa pela ideia dizer que o que penso acerca do nosso sistema político é o que está definitivamente correto. O tal sistema é feito por pessoas que imagino a esforçarem-se para dar o melhor que podem de si à sociedade. Se essa sociedade as deixa agir impunemente em ocasiões críticas e se recusa a ver os defeitos da sua matriz, que posso eu fazer? Grande parte deste modus operandi já existia quando vou tomando consciência dele e sei do meu tamanho para fazer a diferença: só a posso fazer em mim, na minha prática. Por isso, recusar fazer parte do que entendo por mais nocivo é-me vital. Por tudo isto, não quero fazer parte de um qualquer saco de farinha para apodrecer na despensa desta cozinha velha feita para empanturrar frades. Fiquem com todo o poder que cá me governarei como o grão de trigo se governa com a chuva e o sol no torrão comum: as circunstâncias farão o resto! Afinal, é da força dos grãos que não entram na moagem que se faz o melhor fermento, diz o povo! Modéstia aqui rima com moléstia!\\ 


 
Maria Leonor Vieira (Membro da Coordenação Nacional +D) Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

sábado, 14 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Que nos fique a semente de Mandela…

Nos últimos dias, desde a morte de Mandela, muito se tem falado deste Homem nos diferentes órgãos de comunicação social e até entre as pessoas nos cafés e aqui e ali. Os que conhecem melhor a sua vida, com comentários mais corretos. Os que a conhecem pior (ou mesmo muito pouco), relatando atabalhoadamente como seu conhecimento próprio o que ouviram minutos antes a outros aparentemente bem sabedores.

Mas ainda bem que se fala de Mandela! Pelo menos que se fale e que se elogie, mal não fará se se venerar mesmo, de alguém que só pode ser um exemplo e, por outro lado, uma vergonha para (quase) todos nós. Ao menos que isso aconteça depois de morto já que quando de apoio mais precisou, não o teve assim tão generalizado pelo mundo fora,  a começar pelos nossos dirigentes portugueses ao mais “alto nível”!

Mas digo que a sua vida também deve ser motivo para nos envergonharmos, não é dele obviamente, é de nós mesmos. Envergonharmo-nos de sermos passivos, de sermos amorfos, de nada fazermos para MUDAR, a não ser falar e criticar na nossa zona de conforto.

Que a vida de Mandela, que o seu sofrimento e a sua luta, tenham não só servido para acabar com o apartheid, para libertar o seu povo, mas que constitua agora, na hora da sua morte, um abre-olhos para muitos; que a vergonha que devemos sentir ao comparar-nos, nos desperte para sermos cada um de nós um pequeno mandela








Francisco Mendes (Membro da Coordenação Nacional +D)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Intervenção MaisDemocracia na Convenção Democratica Nacional "Em Defesa de um Portugal Soberano e Desenvolvido" (9 dez 2013)

1.
Recentemente, fui candidato autárquico independente, em Lisboa, pela lista MaisPenha.
Atualmente, sou ativista do movimento e associação nacional MaisDemocracia, que inscreve nos seus propósitos e âmbito a promoção da democracia participativa e direta.

2.
Vivemos desde 1975 sob "Democracia Representativa", ou seja, em democracia de quatro em quatro anos, com hiatos de permeio. Como aquele em que hoje vivemos... esta "democracia representativa" exprime-se na forma de uma "rotação de culturas", de duas folhas, que faz alternar PS e PSD no poder e que levou à estagnação económica desde 2000, ao falso crescimento da década precedente (e a uma bolha imobiliária que ainda não estourou), a uma corrupção epidémica e impune e, sobretudo, ao país mais desigual da Europa e ao sexto mais desigual de todo o mundo desenvolvido.

3.
Os partidos da rotação agem como se fossem um único bipartido (um partido único, com duas tendências). Estão fechados sobre si mesmos, e virados para dentro dos aparelhos.
Estão controlados pelos "boys" e "boyas" e dominados por jotas, não somente em Portugal (a experiência extra-partidária de Seguro e Passos é muito limitada ou inexistente), mas também na Europa, nomeadamente na Europa, por exemplo, no Reino Unido, com Camerom e Milliband, também eles produtos internos dos aparelhos partidárias.

4.
Os partidos da rotação não se abrem aos cidadãos, nem sequer aos seus militantes. Apenas as cliques dos líderes e os aparelhos têm alguma influência, como decorre, por exemplo, da constatacao de uma vaga expulsões no Partido Socialista como consequencia das últimas autarquicas.

5.
O que faz falta?
Falta desenvolver o que já existe:
.referendos nacionais de iniciativa cidadã (exigem 75 mil assinaturas)
.referendos locais autarquicos de iniciativa cidadã (exigem 5 mil assinaturas)
.iniciativas legislativas de cidadãos (exigem 35 mil assinaturas)
.candidatutas autarquicas independentes (exigem - nas grandes cidades - até 4 mil assinaturas)
.candidaturas presidenciais (exigem 7500 assinaturas)
.novos partidos políticos (exigem também 7500 assinaturas)

Falta assim atualizar estes mínimos de assinaturas, atualizando-os em função do declínio demografico das últimas década, intensificado agora com este terrivel exodo de 120 mil emigrantes por ano, um recorde que bate até os altos níveis da década de 60 (mas agora num novo contexto de baixa natalidade).

Falta ainda abrir a Assembleia da República a candidatos independentes, fora dos partidos (porque existe política para além dos partidos), eleitos em círculos uninominais de base nacional.

6.
Precisamos assim - se é que tal ainda é possível - reformar os "velhos" partidos, introduzindo métodos internos de democracia participativa e direta e leva-los a adotarem posições que conduzam ao desenvolvimento das ferramentas já existentes (referendos, ILCs, candidatos independentes, novos partidos, orçamentos participativos, etc).
Se não for possível reformar estes "velhos" partidos precisamos então de criar novos partidos, de base cidadã e que promovam a democracia direta e participativa.




Rui Martins (membro da Coordenação Nacional do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.