quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Obrigada Mandela

Que, por instantes, a terra se cubra de silêncio. Que se ouçam os cantares dos pássaros e o esvoaçar das suas asas. Que se sinta o escavar lento e continuado das formigas, a remexer o interior da terra. Que a chuva acalme as poeiras suspensas, as aglutine, una, e transforme. Que toda a atmosfera se torna clara ondulante e, os que vivem, se prostrem em contemplação porque um meteorito que desceu à terra, produziu um brilho intenso subiu à glória das alturas. Que se escancarem as portas do céu e se faça PAZ em cada um. Que à esfera planetária se constitua uma imensa constelação de humanidade. Que todos se curvem ante a grandeza da liberdade, justiça, perdão. Que cada um aprenda a ser uma pessoa melhor pois “o mundo tem que se modificar não pelas diferenças mas pelas esperanças comuns”. Tu, Mandela que foste “dono da tua alma, comandante do teu destino” (afinal do nosso), que esperas de cada um e de todos, para a continuação da tua obra? Partiste (?) não, Ficaste (!) O mundo escuta a tua lição, o teu testemunho. Obrigada e até sempre, MADIBA .


Conceição Couvaneiro (Conselho Geral do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

[Opinião +D] O legado de Mandela: elogio politicamente incorrecto

Não parecem ser frequentes as situações em que a elevação ética coincide com a racionalidade político-económica – às vezes, parece até que estas duas posições são por inteiro incompatíveis. Vem isto a propósito do líder histórico da África do Sul, Nelson Mandela. Na sua morte, ele tem sido sobretudo elogiado pela sua elevação ética – em particular, na sua relação com a minoria “branca” sul-africana. E todos os elogios que se lhe possam fazer nesta área não são demais.

Aqui, porém, vamos elogiar Mandela pela racionalidade da sua posição político-económica. Com efeito, ao não se ter vingado da minoria “branca” sul-africana, como muitos dos seus camaradas reclamaram, Mandela preservou a viabilidade política e sobretudo económica do seu país. Ao contrário de outros líderes africanos que cederam a essa tentação e, com isso, desmantelaram as alavancas maiores das economias dos seus países – lembre-se o caso exemplar do Zimbabué de Robert Mugabe –, Nelson Mandela percebeu bem que expulsar a minoria “branca” (ou “atirá-la para o mar”, como ainda hoje se ameaça) seria suicidário no plano económico.


Não é pois por acaso que, não obstante todos os seus graves problemas sociais, que se mantêm, a África do Sul continua a ser o país mais economicamente pujante daquela região. Ao contrário de outros países – incluindo, é bom não esquecê-lo, algumas ex-colónias portuguesas –, a África do Sul percebeu bem que um regime democrático deve distribuir o mais justamente possível a riqueza criada. Mas, para que tal aconteça, importa primeiro que se crie riqueza. Só se pode distribuir o que existe. Não o que se destrói, por muitas (justas) razões que se tenham para tal.






Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Proceda-se em conformidade…..

Sempre admirei Mandela e a capacidade que demonstrou no processo de transformação do regime do Apartheid na África do Sul e do exemplo que foi para o mundo, mas deixem-se de hipocrisias e exaltações bacocas ao que Mandela fez e procedam em conformidade…. que isto mudaria.

Não falo de reconciliação, falo de justiça e de acima de tudo, não fazer aos outros o que não gostam que se lhes faça. O coro de carpideiras que vem a terreiro tecer loas a quem nunca deram crédito, nem apoiaram, só me causa vómitos, para além de que a prática recorrente e que continuamos, enquanto povo, a sufragar, está nos antípodas daquilo que enaltecem. Lembrem-se dos Estaleiros de Viana do Castelo para não ir mais longe e estejam atentos ao que por debaixo desta cortina de lágrimas de crocodilo o governo vai tentar passar.
O luto é por nós todos e três dias não chegam. Acordem e procedam em conformidade!



Carlos Seixas  (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

[Opinião +D] A democracia directa e participativa é de esquerda ou de direita?

Ainda que acredite que, hoje em dia, a dicotomia convencional esquerda-direita esteja verdadeiramente ultrapassada, a verdade é que até para efeitos de futuros e eventuais posicionamentos de um possível partido político que siga os princípios da democracia participativa e direta é importante responder a esta pergunta: um partido de Democracia Participativa seria um partido de Direita ou de Esquerda?

A questão pode levar a um extenso debate e está bem além dos limites estreitos destes artigos de opinião, mas pode ser abordada de forma sumária: existem duas formas de classificar um partido à "esquerda" ou à "direita":
1. Em função da preferência pela primazia da tradição frente à inovação social e económica
2. Em função da primazia pelo indivíduo (Direita) perante o coletivo (Esquerda)

Nestes dois eixos, um eventual (e inexistente) Partido da Democracia Participativa posiciona-se claramente pela banda da inovação dos métodos democráticos e de novas e mais amplas formas de participação política dos cidadãos, logo será - neste eixo - de "esquerda". No segundo, contudo, o posicionamento é menos claro... se por um lado, um partido de Democracia Participativa defende os interesses e preocupações do indivíduo, garantindo que este tem um peso efetivo e direto em todas as decisões que lhe dizem respeito, por outro, os seus mecanismos implicam que em votações (simples ou por maioria) a vontade do indivíduo pode ser contraditada pela do coletivo, logo, esse eventual partido seria de... "esquerda"...

Qual é a vossa opinião?




Rui Martins (membro da Coordenação Nacional do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

[Opinião +D] “A mão invisivel” ou a vegonha de quem estende a mão

Para além da crise sufocante que se vive, o que mais preocupa são os comprometedores caminhos políticos trilhados, porventura sem retorno, no que respeita à sociedade para todos. As orientações, marcadamente ideológicas, não deixam antever um mundo justo. As idéias repetem-se, a história reconta-se. É preciso aprender com as suas lições. Há ideologias que mais não fazem do que defender o interesse de poucos, em detrimento de muitos. Não porque os homens sejam maus mas mas porque são, acima de tudo guiados, pelo interesse próprio. Como resultado da sua ambição, os meios escasseiam para os outros. Se o liberalismo surgiu, nomeadamente o económico, com base no ideal de igualdade e de liberdade, sem submissão a “um rei ou senhor” pode fazer sucumbir o interesse social e aniquilar o direito das maiorias. No mais perfeito dos mndos, os liberais estabeleceriam uma relação de equilibrio, entre os seus valores e os da sociedade. A história veio provar que não acontece assim e, a psicologia, pode explicar este fenómeno de desregulação. A sociedade, por ser diversa, não se apresenta igual no domínio das competências e das oportunidades. Por conseguinte a posse, em excesso, de uns conduz outros, à mais vil das carências. Não tinha razão Adam Smith, quando preconizava que, num sistema liberal, “uma mão invisivel” conduziria à realização do bem comum. Verificamos que, não obstante tal, amplos movimentos sociais se desdobram em boa vontade, para suprir as dificuldades gritantes, em que muitos vivem. São prova disso as campanhas do banco alimentar contra a fome, com as mais de duas mil e setecentas toneladas de alimentos recolhidos, a mobilização de 400.000 voluntários à porta de quase todas as grandes superficies, ao longo do País. Naquilo a que alguns chamam “economia da fome”, está-se longe de viver o ideal da igualdade e da justiça. Da liberdade para todos. Não se pode imaginar a vergonha e o vexame de quem estende a mão. Outros, vão fazendo subir, ainda mais, as suas fortunas. A mão que se estende, não é, pois, invisivel, mas a da vergonha.


Conceição Couvaneiro (Conselho Geral do +D)

Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

[Opinião +D] 1º de Dezembro

Passou-se mais um 1º de Dezembro e percebe-se bem o incómodo que a data, apesar de deixar de ter sido feriado oficial, gera – sobretudo na nossa classe política. Nas últimas décadas, impingiram-nos a tese de que a independência política era um valor anacrónico. Hoje, todos dizem lamentar a sua falta e alguns falam mesmo da necessidade de uma “Restauração”.

Decerto, no Século XXI a independência política não se pode equacionar nos mesmos termos do passado. Num mundo cada vez mais globalizado, um país como Portugal, sobretudo depois do Império, só pode sobreviver integrado em plataformas político-económicas mais vastas – no nosso caso, falamos 
da plataforma europeia e da plataforma lusófona.


Ainda assim, importa ter a independência política suficiente para podermos gerir, soberanamente, a integração nessas duas plataformas. O que deixou, em grande medida, de acontecer. Ao contrário, por exemplo, da Grã-Bretanha, que nunca deixou que a (Des)União Europeia condicionasse a sua aposta estratégica na Commonwealth, Portugal desprezou, durante décadas, a aposta estratégica no espaço lusófono, crente que a (Des)União Europeia nos bastaria. O que foi, decerto, um dos maiores erros geopolíticos da nossa história.






Renato Epifânio (membro da Coordenação Nacional do +D)
Os textos de opinião aqui publicados, se bem que da autoria de membros dos órgãos do +D, traduzem somente as posições pessoais de quem os assina.

domingo, 1 de dezembro de 2013

[Opinião +D] Quem nos governa realmente?

Perdoem-me voltar a este tema mas a ingenuidade e despreocupação com que muitos continuam a olhar para a atual União europeia preocupa-me.
Ontem no lançamento do seu livro de memórias, Zapatero afirmou que, em 2011, a chanceler alemã, Ângela Merkel, lhe propôs uma assistência financeira de cerca de cinquenta mil milhões de euros, garantindo também que Itália iria receber oitenta e cinco mil milhões de euros. A esta sugestão, ter-se-ão também juntado pressões do ex-diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, em Junho de 2010 e do antigo Presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, numa carta que enviada, a Zapatero, em Agosto de 2011.
Apesar de não ter cedido a pedir assistência, tal como fizeram Portugal, a Irlanda ou a Grécia, a Espanha acabou por receber ajuda financeira para a recuperação da banca espanhola mas Zapatero afirmou que a verdadeira ajuda chegou de Tony Blaire e não das instâncias que supostamente “queriam ajudar”. Falou de uma espécie de aliança espano-inglesa para superar aquele período difícil e criticou a falta de um verdadeiro espírito europeu. Culpou a Alemanha de agudizar o problema da falta de solidariedade na Europa, sobretudo, através do eixo franco-alemão.
Zapatero afirmou que os países que mais tinham de convergir, foram quem mais sofreu com a crise mas acabou por desejar que nenhum país saia do euro, nem da União Europeia. Eu sempre desejei o mesmo mas, hoje em dia, já me questiono sobre o que realmente existe de união nesta Europa. Europa essa, onde parecem existir cada vez mais países à beira da rutura iminente e o pior é que os mais fortes estados parecem muito pouco interessados nisso e bem mais preocupados em acumular mais e mais riqueza.
Isto faz-me lembrar outra notícia desta semana, a de que os muito, muito ricos de Portugal, estão cada vez mais ricos. Até tinha graça se não fosse trágico. Num país onde os níveis de desemprego atingem níveis nunca antes vistos, em que há cada vez mais idosos a viverem e a morrerem mais e mais sós, em que as famílias recorrem cada vez mais às filas da caridade, em que dia para dia mais crianças vão para a escola com fome e em que cada vez mais jovens fogem daqui para fora. Os mais ricos estão mais ricos!!! Extraordinário! Se bem que, não era de esperar outra coisa…
Só me apeteceu chamar-lhes... Patriotas!!! É isso. São uns ótimos patriotas e pergunto-me se se sentem bem à noite. Mas claro que eu não passo de uma ingénua sonhadora que todos os dias acordo e me atrevo a pensar que este país irá voltar a melhorar porque todos nós amamos Portugal.

Margarida Ladeira (Membro da Coordenação Nacional +D)
Este comentário é da exclusiva responsabilidade da sua autora